A semana começa agitada: a) Para o milho, que promete novas altas; b) Para o café, porque o mercado ainda não assimilou a ameaça de suspender a estratégia de retenção - embora desmentida pelo Ministério da Agricultura; c) Para o boi gordo que, apesar do aumento da oferta, tem como novo fator de mercado, a retenção por parte dos pecuaristas paulistas; d) Para o feijão, cujo preço disparou na sexta-feira, por conta dos especuladores da Bolsinha paulista; e) Para o frango, com nova ameaça argentina que vai anunciar medidas antidumping; f) Para arroz, diante de mais uma batalha judicial dos produtores gaúchos contra a importação do produto do Uruguai e Argentina.
É natural que o milho tenha novas altas pois as importações não chegarão ao montante previsto de 3 milhões de toneladas. Além disso, em agosto as indústrias devem voltar ao mercado para recompor seus estoques. A fase da compra ‘‘da mão para a boca’’ acabou. Está aberta a temporada de concorrência para obtenção do produto cujo quadro de escassez foi realçado pela geada.
No caso do café, embora o Ministério da Agricultura tivesse garantido o programa de retenção de café, o mercado funcionará a partir de hoje com o desconfiômetro ligado, por conta de muita especulação. É que na sexta-feira, depois do expediente comercial, o secretário-executivo da Camex, Roberto Gianetti da Fonseca, disse em Londres, sexta-feira à noite, que não será mais necessário realizar o programa de retenção de exportações de café. De acordo com ele, a geada queimou boa parte da safra brasileira e elevou a cotação do produto, o que deve atender à meta fixada no programa de retenção.
Tentando concertar o erro e evitar uma enorme confusão na segunda-feira, o Ministério da Agricultura informou que prevalece a decisão do CDPC (Conselho Deliberativo da Política do Café) de manter o programa de retenção do café.
O preço do boi gordo tem razões para cair mais um pouco. Mas os invernistas de São Paulo prometem reagir com redução da oferta. É um ponto de equilíbrio, embora a falta de comida para o gado fale mais forte.
Também esta semana o governo argentino decide se via ou não aplicar medida antidumping contra os exportadores de frango. A resolução está para ser assinada pelo ministro da Economia, José Luis Machinea, e imporá preços mínimos de importação para frangos inteiros eviscerados de várias empresas, entre elas a Sadia. A medida antidumping acompanha uma decisão da Comissão Nacional do Comércio Exterior argentina, que há dois meses emitiu um parecer observando que as importações de frango do Brasil são efetuadas com dumping (venda a preços mais baixos que os do mercado interno do País).

LEITURA DINÂMICA
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