Oswaldo Petrin
Exatamente no dia em que o Paraná amargava as consequências de uma das piores geadas, quinta-feira, agências de notícias distribuíam informações sobre os planos da Bahia de ampliar sua área de café. Foi lançado o Programa de Desenvolvimento da Cafeicultura da Região Oeste. Investimentos de R$ 350 milhões em recursos próprios, do BNDES, do Banco do Brasil e Banco do Nordeste.
A Bahia quer incorporar mais 15 mil ha irrigados aos atuais 7 mil ha de cafezais na Região Oeste. O Estado tem lá suas metas de geração de empregos (40 mil diretos e 120 mil indiretos em quatro anos), o que é interessante, inclusive deve ser uma mão-de-obra barata.
Até aí tudo bem, uma idéia profundamente meritória. O que muita gente do setor cafeeiro achou jocoso foi deparar, nos jornais de sexta-feira, com declarações de funcionários do governo de que na Bahia não há geada. Seria uma alusão à limitação do Paraná?
De fato, convenhamos, esta é uma das limitações aos cafés do Paraná. Geadas como as dos últimos dias - das quais jamais o Paraná estará livre - nos remete a pensar se realmente, ainda assim, é compensador o cultivo do café.
Mas há um detalhe observado por um técnico da Corretora Bourbon observa: a Bahia não tem geada, mas tem um alto custo de implantação e manutenção, algo em torno de US$ 70,00/saca, comparados aos US$ 45,00 no Paraná, para quem é eficiente.
A Bahia, contudo, pode ter melhor qualidade na média.
O projeto da Bahia é para grandes empresários, ao contrário do Paraná que tem uma agricultura de mão-de-obra quase familiar. E, na escala, a Bahia leva vantagem, ainda que tenha custo unitário maior que o paranaense. É o mesmo caso do cerrado, como observa o engenheiro agrônomo e produtor Francisco Barbosa.
Voltando ao plano da Bahia, os investimentos devem proporcionar um aumento na produção atual da Bahia de 250 mil para 1,3 milhão de sacas de café beneficiado. Estão previstos R$ 160 milhões em crédito agrícola nos próximos três anos em excelentes condições: o governo baiano vai arcar com 50% dos encargos financeiros até o limite de 6% nos três anos de carência do crédito. Isso significa que, se os encargos forem de 12% ou 14% nesse período considerado mais crítico, o Agroinvest assegura o pagamento de 6%. (Biaggio Talento, AE).
Reunião Comissão do Café da Faep, Câmara Setorial e dirigentes do setor cafeeiro reúnem-se neste segunda-feira para propor um plano de emergência diante dos prejuízos causados pela geada. (Veja abaixo).
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