Oswaldo Petrin
Depois daquela confusão toda, na semana passada, causada por informações não autorizadas, o Ministério das Minas e Energia clareou um pouco ontem o pensamento do governo sobre o Proálcool. O governo deve sim criar incentivos para garantir o abastecimento de álcool combustível no País, mas vai exigir compensações dos produtores. O comentário foi feito ontem pelo ministro de Minas e Energia, Raimundo Brito. Os subsídios, se necessários, têm de ser transparentes, com a discussão pelo Congresso Nacional do porquê e quanto se dará de subsídio, disse, em entrevista ao repórter Sérgio Leo, da Agência Estado.
O orçamento deve trazer a previsão dos gastos com o programa de apoio à produção do álcool, segundo Brito. O ministro se disse contrário ao atual sistema de subsídios, já reduzidos gradualmente pelo governo federal (veja no destaque). Segundo Brito, os produtores, para se beneficiarem com as medidas a serem criadas pelo governo, terão de garantir o abastecimento do País. Não é admissível que tenhamos de importar álcool, comentou.
Mas não é só. Os produtores terão ainda de se comprometer com metas de produção e aumento de eficiência. Produzir álcool é mais caro que derivados de petróleo em qualquer lugar do mundo, e até nos Estados Unidos, onde eles têm grande subsídio para esse produto.
O ministro adverte, faz algumas críticas, mas no fim acaba expressando o que os produtores queriam ouvir: o reconhecimento do governo de que o álcool é importante e o governo tem que assumir o programa. Questão de bom-senso. Neste caso parece que não há dúvida, a julgar pelo pensamento do ministro. Segundo Brito, a manutenção do Proácool é uma decisão do governo e é indispensável para garantir o abastecimento de toda a frota nacional, inclusive o abastecimento dos carros a gasolina, que têm adição de 20% de álcool anidro. O consumo nacional de álcool, que era de pouco menos de 12 milhões de metros cúbicos em 1995, subiu para 14 milhões no ano passado e deve continuar crescendo este ano.
No mais, tudo é discurso. O álcool é um elemento definitivo e importante da matriz energética brasileira. O ministro da Indústria, Comércio e Turismo, Francisco Dornelles, disse concordar com Brito. Dornelles calcula que será necessário aumentar a produção de álcool em 1,6 bilhão de litros anuais, só para atender aos atuais planos de expansão e vendas da indústria automobilística.
O Conselho Interministerial existente para discutir a política de álcool ganhou este ano um grupo executivo, com técnicos para acelerar as decisões do setor e um conselho com integrantes escolhidos entre os produtores. O conselho servirá para que o setor produtor venha ao governo de forma objetiva e ofereça sua contribuição, assumindo compromissos de aumentar a eficiência. E transferir benefícios para o consumidor. Crédito/milho
O ministro Porto deve afirmar hoje, em Curitiba, que o Governo entra com força total no mercado do milho e o Banco do Brasil vai liberar AGF para compra de produto. O anúncio pode mexer com o mercado. É o que o governo quer.
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As cooperativas, que normalmente pagam mal, fazem questão de exibir preços baixos, neste momento, para reforçar o argumento de que o governo tem mesmo que liberar o AGF. As indústrias, para contrapor a idéia, mostram ofertas que já encostam no preço mínimo. (Veja cotações).
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AGF é sempre bem-vindo. O leilão de opções, da forma como a Conab conduziu, foi um fracasso. E a participação do governo - para sustentar o preço mínimo - foi tímida e frustrante. O ministro pode se redimir agora disponibilizando mais recursos.
Dinheiro
O saldo acumulado dos empréstimos do sistema financeiro para o setor rural atingiu R$ 20,2 bilhões em abril, dados do Banco Central à Agência Folha. O valor supera em 5% o de março, mas cai 3% em relação ao de abril de 96.
Café
Os exportadores de café querem uma mudança nos contratos de venda para a Europa, para que passem a prever a pesagem dos containers antes do embarque do produto nos portos brasileiros. Objetivo: definir responsabilidades por perdas de peso após o embarque.





