Oswaldo Petrin
A semana começa agitada para alguns setores - como o milho - e prometendo mudanças em outros, no caso da soja em que houve aumento de oferta na quinta e sexta-feiras por parte de produtores que têm compromissos com bancos.
As indústrias também devem voltar ao mercado para comprar o grão, apesar do discurso de que não está compensando, face aos problemas com o ICMS debatidos na semana passada.
No caso do boi está completamente descartada a hipótese de novas altas. Há mais motivo para ceder - por pressão de oferta - do que ficar nos níveis atuais. Mas não será, certamente, pela entrada de animais do Paraguai que o mercado vai recuar. É que já estamos na entressafra.
No caso do café, uma reação nos preços ainda é muito prematura. Ninguém aposta muito nas previsões de Paulo César Samico, homem forte do Ministério da Agricultura que está prevendo o início da recuperação dos preços. Ações do governo não alavancam o mercado.
Mas a agitação maior fica por conta do milho. Ainda ontem os avicultores pernambucanos comemoravam a decisão da Justiça. E o Greenpeace promete contra-atacar.
Recordando: Por determinação do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Paulo Costa Leite, as 38 mil t de milho transgênico procedente da Argentina que se encontravam interditadas desde o dia 20 de junho começaram a ser descarregadas ontem, domingo, no Porto do Recife.
Na sexta-feira, inconformados com a proibição, os empresários do setor distribuíram na quinta-feira 20 mil frangos com a população. Mas não foi isso que levou o STJ a decidir pelo descarregamento. É que estava virando uma
crise de competência dentro da própria Justiça. A Justiça Federal em Pernambuco acatou liminar impetrada pelo Ministério Público federal e sustou a carga e análises comprovaram que o milho era geneticamente modificado.
O Tribunal Regional Federal (TRF-5ª região) suspendeu a liminar e 137 toneladas do milho foram descarregadas do navio Norsul Vitória, sexta-feira à tarde. Trinta e cinco minutos depois de iniciada a operação, ela foi suspensa porque havia uma decisão genérica do TRF-1ª região, do Distrito Federal, proibindo a importação de transgênicos sem um estudo sobre o impacto ambiental.
Na sua sentença contra o uso de transgênicos, o presidente do TRF-1ª região, Fernando Tourinho Neto, frisou os riscos que estes produtos podem trazer ao meio-ambiente e à saúde humana, já que não existem estudos definitivos sobre o assunto. O impasse foi desfeito pelo STJ sexta-feira à noite. O descarregamento das 38 mil t deve ser concluído esta semana.
O milho transgênico foi adquirido pelos avicultores como prática que já se tornou rotineira. Desta vez houve problema - conforme a observa a AE - porque o Greenpeace alertou que se tratava de grão transgênico.
LEITURA DINÂMICA
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