No Rio Grande do Sul a briga é pelo não descarregamento (de arroz argentino) que vai complicar o mercado dos produtores. Já em Pernambuco, o protesto é pelo descarregamento (de milho argentino) sob pena do frango ficar sem comida. No primeiro caso, o que ‘‘assusta’’ é o subsídio e o preço mais baixo do arroz; é a concorrência. No caso do milho, o que ‘‘não assusta’’ é o grão geneticamente modificado. Não assusta a granja que recorre à científica CTNBio, que os juízes desqualificaram.
Em comum esses episódios - sem entrar no mérito - têm como causa/efeito a omissão do governo. Omissão que também prejudicou o café, em mais de R$ 50,00 por saca, dizem.
No caso do café, agora que o mercado está descrente e seus agentes fornecedores ou intermediários amargam perdas nada desprezíveis, vem a informação sobre a largada do processo. Foi o que fez ontem o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, P. C. Samico. Segundo ele existem 30 mil sacas de café destinado à exportação retidas nos armazéns oficiais do governo. Este volume permite a exportação de 150 mil sacas, conforme as regras do programa internacional de reordenamento das exportações, coordenado pela APPC, com o objetivo de recuperar os preços do café no mercado internacional. O café retido está sendo depositado pelos próprios exportadores, sendo que a maior parte (90%), está sendo estocada nos armazéns de Conceição do Rio Verde e São Sebastião do Paraíso, ambos em Minas Gerais.
Voltando ao impasse da ração e o protesto de Pernambuco, vale lembrar só para esclarecer, que uma sentença judicial da 6ª Vara federal do Distrito Federal determinou que a CTNBio não deve emitir pareceres e condicionou a importação, produção e consumo de qualquer produto modificado geneticamente à autorização dos ministérios da Saúde, Agricultura e Meio Ambiente. O procurador ressaltou a necessidade de mais estudos que comprovem a ausência de prejuízos à natureza.
O governo FHC é tão adverso ao agronegócio que até a balança comercial do setor está recuando, justamente quando tem na agricultura um ministro especializado em mercado internacional. No caso o governo não tem a menor culpa, mas, convenhamos, denota falta de sorte.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef), Cláudio Martins, por causa da queda do preço do frango o setor teve de rever a meta de exportação para este ano de US$ 1,2 bilhão para US$ 1 bilhão.
Outra razão para a revisão da meta da Abef é a proibição da importação do milho transgênico, o que torna a alimentação dos frangos 30% mais cara, de acordo com Pratini.

LEITURA DINÂMICA
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