Oswaldo Petrin
A falta de agressividade com relação ao mercado externo só poderia causar perda de divisas e de espaço. As exportações do agronegócio brasileiro projetadas para US$ 16,4 bilhões este ano, deverão alcançar US$ 15 bilhões ( US$ 1,4 bi menos que em 99). O assunto deve ser destaque nos jornais de hoje.
Quando esteve em Londrina, dias atrás, para inaugurar uma indústria de café solúvel, o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo C. Samico, previu, em entrevista a este jornal, que este ano estamos exportando mais volume e convertendo menos dólares. Mas se referiu ao complexo soja, exceção do farelo; ao café, cana e carnes.
Ontem, o mesmo Samico, divulgou números mais confiáveis (e desanimadores) com relação às exportações. A razão principal da redução, segundo ele, está na queda de preços das principais commodities no mercado internacional, tornando o café e o açúcar os produtos brasileiros mais prejudicados. Apesar disso, o saldo de US$ 15 bilhões ainda estará cerca de 12% acima do superávit obtido em 1999, observou, em entrevista à Agência Estado - Gecy Belmonte. O saldo da balança comercial do agronegócio obteve um superávit de US$ 4,86 bi de janeiro a maio deste ano, inferior aos US$ 5,02 bi obtidos no mesmo período do ano passado.
A participação do setor na balança comercial geral do País também decresceu nos cinco primeiros meses deste ano, - de 41,6% para 35%. Esta diminuição deve-se ao atraso na colheita e comercialização do principal produto exportado, a soja. Apesar disso, o complexo soja continuou liderando o superávit verificado de janeiro a maio, com um saldo positivo de US$ 1,3 bilhão. Em segundo lugar ficou o setor de couros e calçados, com US$ 839 milhões, seguido do café, com US$ 758 mihões.
O açúcar será um dos produtos com maior perda nas exportações neste ano em função da quebra na safra nacional de cana, que deverá ser de 20%. Em decorrência da redução na produção as exportações do produto que no ano passado foram de 13 milhões de t, ficarão este ano entre cinco a seis milhões de t. Caso não houvesse esta quebra, o Brasil poderia obter uma boa arrecadação de divisas com o produto, uma vez que os preços muito baixos no início do ano começaram a se recuperar a partir de maio.
LEITURA DINÂMICA
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