A economia brasileira não admite planejamento a longo prazo. Mas o setor têxtil quer fechar o ano com crescimento de 5% para depois tentar manter a mesma taxa nos próximos quatro anos, fechando período quinquenal de de 20% a 25% no segmento de roupas masculinas. O setor também prevê mudanças de hábitos que levaram a opções mais radicais nos modelos. As empresas atentas à tendência já estão desenvolvendo produtos para atender a esse grupo de consumidores.
O setor está experimentando uma fase de prosperidade tão latente que se permite fazer projeções e, literalmente ‘‘inventar moda’’, baseada num estudo de comportamento dos consumidores.
A pesquisa ‘‘Perfil do Vestiário 2000’’, realizada pela Rhodia e conduzida pela H2R Pesquisas Avançadas, identificou diferentes tipos de compradores de roupa: o antenado, o refinado, o flexível, o exibicionista, o adaptado, o ascendente e o independente.
A pesquisa, cujo resultado foi divulgado ontem pelas agências Estado e Folha, abrangeu as classes econômicas A, B, C e D. O universo é formado por 950 pessoas, entre homens e mulheres de 14 a 60 anos, residentes em São Paulo e no Rio de Janeiro. O setor de moda masculina é considerado hoje um dos impulsionadores do crescimento da indústria têxtil brasileira.
O vice-presidente da Rodhia, Jean Louis Bourdon, deu entrevistas ontem em São Paulo, afirmando esperar mais do que o previsto pela pesquisa ‘‘que por ser científica não pode ir além dos parâmetros técnicos’’. Ele acha que o segmento do vestuário masculino vai crescer em média 7% ao ano. A industria têxtil deverá crescer 4% ao ano. A moda masculina representa 25% do faturamento total do setor.
A cadeia têxtil prevê investir, nos próximos oito anos, cerca de US$ 12,3 bilhões em modernização e expansão da capacidade produtiva para melhor responder à procura. O consumidor está cada vez mais exigente e preocupado com aquilo que veste, concluiu a pesquisa.
Num momento em que o setor têxtil dá sinais de recuperação e de internacionalização, procurando o reconhecimento da marca ‘‘made in Brazil’’, a satisfação do mercado interno é um dos objetivos primordiais dos empresários. Comprar roupa já não é mais só uma necessidade primária, mas sim um ato que reflete um status social, de acordo com a pesquisa.

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