-‘‘Quem não sabe quanto gasta não sabe quanto ganha’’ (ou quanto perde). O governo deveria se inspirar no tema de uma campanha da Emater-PR, muitos anos atrás, para fazer melhor suas contas. A campanha da Emater conscientizava o agricultor para controlar seus custos e organizar sua contabilidade.
-O saco-sem-fundo da gastança pública do governo insaciável resiste. A Ordem dos Economistas de SP alertou e não foi ouvida; Delfim Neto nunca foi levado a sério; Fiesp alertou e ninguém deu bola; Roberto Campos alertou e foi considerado o maior reacionário. E os consultores de empresas, independentes, que fizeram a mesma advertência, nunca tiveram espaço no governo ou na imprensa, exceção de Antoninho Marmo Trevizan e alguns poucos.
-Mas, agora, quem alerta são o Conselho Regional de Economia (Corecom), um fórum respeitável, e o próprio chefe da assessoria econômica do Ministério do Planejamento. É isto mesmo. Para o economista Amaury Guilherme Bier, o maior desafio do governo para manter o Plano Real vai ser gastar menos do que arrecada. Não adianta a voracidade na arrecadação, tem que controlar os gastos.
-Pois é, o pepino está plantado: Do ponto de vista fiscal, 1998 vai ser um ano complicado, na avaliação do economista, na Carta Conjuntura de junho do Corecon, divulgada ontem. O orçamento do governo em 98 vai ficar mais apertado com a correção retroativa de 28,86% dos salários dos servidores civis determinada este ano pela Justiça e com a extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Segundo Bier, o governo vai ter de usar instrumentos de gerenciamento para elevar a eficiência da alocação dos recursos públicos.
-E as reformas? Como as reformas administrativa e da Previdência, fundamentais para o equilíbrio das contas públicas, não deverão avançar muito até lá, Bier conta com o gerenciamento para obter um superávit primário. ‘‘Acho que será possível repetir em 98 o resultado deste ano, que provavelmnte será um superávit primário de 1,5% do PIB’’, previu.
-A área da saúde é a mais delicada porque os gastos do setor, mesmo com a CPMF, já estão acima do limite. Vai ser preciso criar um substituto para este imposto ou prorrogá-lo. O outro desafio do governo são as contas externas. Mas, assim como o controle do déficit, Bier disse que o governo vai conseguir elevar as exportações e reduzir as importações.
-A economia deve crescer este ano 3,7%, prevê o Corecon. A inflação deverá ficar em 7%, mas o nível de desemprego ficará igual ao de 1996, com a manutenção de 5,5% da população economicamente ativa desempregada. A economia cresce menos do que o necessário para criar postos de trabalho e, além disso, o processo de ajuste, ainda que lerdo, como as reformas, num primeiro momento sempre gera desemprego.Ajuste

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