A redução dos juros básicos de 18,5% para 17,5% vai refletir de forma positiva - porém indireta - no agronegócio, na opinião de lideranças e técnicos do Paraná, ouvidos ontem por este jornal. Não há impacto algum, por exemplo, nos custos dos financiamentos, que já têm taxas diferenciadas. Mas a queda dos juros vai reduzir os custos financeiros das empresas fornecedoras que, por sua vez, podem repassar a vantagem aos preços finais. Uma coisa é certa, se elas não repassarem o benefício, pelo menos não têm razão para fazer o contrário, ou seja a transferência de custos financeiros.
Sem falar que juros baixos beneficiam a atividade econômica, aumentam o consumo e ampliam o mercado.
O diferencial nos juros também ajuda a compensar o câmbio novamente sobrevalorizado em relação à moeda européia. Isto significa perda de mercado.
Se, de acordo com os indicadores que o BC tem em mãos, o ambiente econômico garante redução dos juros, a saúde econômica do agronegócio estava pedindo há mais tempo que os juros cedessem. Por todas as variáveis que se queira analisar: cambial, mercado externo, preços de commodities como a soja e café que perdem espaço e a competitividade. Há, portanto, o que comemorar.
Pela análise macroeconômica, em que se inclui um dos agentes mais importantes, o consumidor, o impacto da redução dos juros é ainda mais expressivo. Ontem, por exemplo, bancos de varejo e de montadoras começaram a cortar os juros em até um ponto porcentual para algumas linhas de financiamento em resposta à da redução de 18,5% para 17,5% ao ano no custo básico do dinheiro. Movimento mais intenso de queda dos juros ao consumidor, no entanto, deverá ocorrer só a partir da semana que vem, quando as instituições terão uma visão mais clara do comportamento da concorrência.
Mas não haverá explosão de demanda: o consumidor não vai se atirar nas compras pelo crediário, o que é bom, pois não afasta a possibilidade de novas queda. Neste momento a maturidade do consumidor vai ser fundamental. Aliás as financeiras das lojas de departamento não acreditam em crescimento substancial das vendas a crédito por causa das taxas menores ou ampliação nos prazos de pagamento.

LEITURA DINÂMICA
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