Oswaldo Petrin
A semana começa prometendo novas mudanças no mercado de commodities, algumas entrando na reta final da fase de comercialização, caso da soja e do milho. Outro fator é a aproximação da entressafra da carne e a intensificação das compras de insumos para a nova safra de verão. O ritmo das encomendas e fechamento de compras foi interrompido pelas previsões de seca mas as empresas fornecedoras ofereceram incentivos incluindo a troca por mercadoria.
No âmbito das especulações há pelo menos cinco pontos de expectativas:
1) No caso do café, a definição das regras para embarque, finalmente divulgadas na sexta-feira, podem puxar o preço para cima, ainda que não seja suficiente para recupear totalmente as quedas de mais de um mês. A tese de que o mercado está bem estocado e há poucos contratos a serem cobertos não é totalmente válida.
2) As indústrias moageiras de soja sim se estocaram relativamente bem e nas três últimas semanas vinham comprando apenas da mão para a boca uma prática que havia sido afastada do mercado com a redução das taxas de juros. Mas a soja tem um fator forte contra evolução dos preços: as boas condições de desenvolvimento da safra norte-americana.
3) O mercado do milho também começa a ficar mais claro com a comercialização da safrinha, cujas estatísticas de oferta já são suficientemente conhecidas. Porém, uma reação mais forte nos preços, fica adiada para meados de julho. É que, entre vender a soja a preço muito baixo e vender o milho a preços acima da média histórica, o produtor (que tem essa opção) prefere entregar o milho. Além disso, apesar da quebra da produção e escassez de oferta, as indústrias têm estoque para aguentar mais algumas semanas.
O que vem ocorrendo com o milho é algo inusitado: a produção é fraca, há um déficit brutal até final do ano; as importações andaram complicadas. Apesar disso, o preço caiu.
4) Algodão, arroz e feijão são mercados de pouca flutuação esta semana. O algodão pode perder alguns pontos com o aumento da oferta e queda dos preços da fibra no mercado internacional. O feijão reduz as ofertas dos três Estados do Sul mas os grandes centros recebem produto novo de São Paulo e Minas.
Embora em quantidades pequenas essas ofertas vêm a se somar aos estoques feitos pelos especuladores da Bolsinha paulista quando o preço estava baixo. No caso do arroz, apesar de todo barulho dos produtores gaúchos, os preços tiveram pouca variação.
5) O único que tem rumo bem definido para continuar em alta, apesar da facilidade da importação, é o trigo. Na semana passada, no Paraná, o cereal chegou a R$ 275,00/t. O aumento na área do Rio Grande do Sul, anunciado na semana passada não é suficiente para contrapor a necessidade de 7,2 milhões de t este ano.
LEITURA DINÂMICA
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