Oswaldo Petrin
Finalmente uma informação sobre política cafeeira, depois que o mercado sofreu várias semanas de apatia e sem referencial. É que o Banco do Brasil poderá liberar até R$ 300 milhões para incentivar a retenção de estoques de café pelos produtores. O objetivo é forçar uma alta do preço do produto no mercado internacional.
O crédito - não se sabe exatamente a partir de quando será liberado - dará suporte aos planos do governo de segurar 20% das exportações brasileiras, suficiente para enxugar o mercado temporariamente. Talvez não seja suficiente para alavancar preços.
Ontem, como vem ocorrendo nos últimos dias, o mercado esteve parado e os preços se mantiveram em baixa, inclusive para cafés finos (veja coluna de preços).
O modelo geral do programa foi acertado no mês passado, em Londres, pelos membros da Associação de Países Produtores de Café. A meta estabelecida pela associação foi forçar uma alta de preços para US$ 1,05 por libra em média -cada libra equivale a 0,454 quilo. O preço do café está hoje em US$ 0,68 por libra, em média.
A linha de crédito anunciada ontem terá juros de 9,5% ao ano. Cada produtor poderá obter um crédito equivalente a 70% do valor do produto ofertado em garantia e estocado em armazéns oficiais. A idéia é reter 3 milhões de sacas de café.
Os registros de exportação de café só serão liberados se houver, nos armazéns oficiais, estoques do produto equivalentes a 20% do que está sendo vendido para o exterior. Os exportadores não estão individualmente obrigados a estocar parte de sua produção, basta que 20% das vendas totais estejam em estoque para que o registro seja concedido.
O Brasil é o maior produtor de café no mundo - cerca de 28,9 milhões de sacas por ano. O volume corresponde a 27,8% da produção mundial, que é de 104 milhões de sacas por ano. No ano passado, o país exportou 1,3 tonelada de café. O preço do café no mercado internacional está defasado porque os países consumidores, como Estados Unidos e Alemanha, estão com estoques altos -15 milhões de sacas no total.
A APPC acertou que, quando os preços do produto chegarem a US$ 1,05 por libra será feita uma nova reunião para estabelecer um cronograma de liberação de estoques. (Fonte: Agência Folha).
Operadores de mercado de Paranaguá, Apucarana e Maringá são de opinião que o mercado vai demorar muito para se recuperar. O aporte de recursos deveria ser anunciado no dia seguinte à reunião de Londres, em maio. O mercado não teria esfriado tanto.
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