O ministro Pratini de Moraes estufa o peito e anuncia substanciosos recursos: R$ 11,2 bilhões, 36% acima dos do ano passado. Resta saber quais recursos (do ano passado) ele se refere: àqueles anunciados ou os que chegaram efetivamente às agências do interior. Ano passado governo anunciou R$ 13 bilhões mas foram repassados R$ 6,1 bilhões (quase R$ 8,6 bilhões, nas contas do governo).
Os recursos são modestíssimos. O presidente da Faep, Ágide Meneguette, procurado ontem por este jornal colocou de forma clara as necessidades da agricultura. Ágide participou dos estudos da CNA que estimou a demanda em cima de diagnóstico real. Aliás, a proposta da Faep/CNA não são reivindicatórias: são estudos técnicos, bem fundamentados.
Outra fonte importante, o presidente da Ocepar, prevê que os agricultores terão que buscar crédito no mercado, a juros de mercado.
O anúncio não passa no teste São Thomé. Nesta altura agentes do agronegócios estão se esforçando para acreditar que o dinheiro realmente chegue até a produção. Essa falta de confiança não é sem razão: o governo FHC tem tido uma postura predatória em relação à produção de grãos.
Já que em matéria de recursos o plano tem tudo para ser mais um fiasco, fiquemos pelo menos com os pontos positivos.
A) Foram aperfeiçoadas algumas regras do crédito rural para dar melhores condições aos produtores,
B) Foi aumentado o limite de crédito para as culturas irrigadas, que passarão a ter um teto máximo de R$ 300 mil por produtor,
C) Para a fruticultura o limite também passou de R$ 40 mil para R$ 60 mil por produtor,
D) O governo também aumentou o desconto das notas promissórias rurais e duplicatas rurais que era de 5% das aplicações da exigibilidade bancária (25% dos depósitos à vista são destinados à agricultura) para 10%,
E) Reduziu a obrigatoriadade das aplicações da exigibilidade bancária para os financiamentos de até R$ 40 mil. Esta aplicação que era de 40% caiu para 20% do total de aplicações destinadas pelos bancos ao crédito agrícola. Segundo Pratini, a decisão foi tomada porque os pequenos produtores estão amparados pelo Pronaf.
F) Foi eliminada a exigência de que pelo menos 80% da renda bruta anual dos tomadores de empréstimos seja oriunda de atividades agropecuárias. Pratini de Moraes explicou que esta é uma medida importante porque permite que pessoas com atuação em outras atividades também explorem a agricultura. Como exemplo, ele disse que nos Estados Unidos somente 12% dos produtores rurais se dedicam somente à agricultura.

LEITURA DINÂMICA
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