Oswaldo Petrin
Banco Central vai liberar compulsório para aumentar crédito, diz a notícia. O compulsório (depósito compulsório) que o sistema bancário recolhe ao BC, como parte dos depósitos à vista, será menor: cai de 55% para 45% e, com isso, sobra mais dinheiro na praça para aplicação em crédito às empresas e pessoa física.
Portanto, supostamente, haverá mais crédito e, também supostamente, havendo maior oferta de crédito, os juros - para o tomador final, incluindo aí o crédito pessoal - podem cair. A decisão nada tem a ver com os juros básicos (hoje, em 18,5%), embora se estes tivessem sido reduzidos na última reunião do Copom, certamente os juros de mercado também poderiam ficar ainda menores. Mas isto não vem à discussão agora.
A disponibilidade de crédito - para as empresas e para as pessoas - pode ser vista, a despeito das taxas, como tentativa para oxigenar a economia, um tipo de afrouxamento da camisa de força da imposta ao consumo pelo Plano Real, ora através do achatamento de salários, ora fazendo uso dos instrumentos de política monetária como os juros e compulsórios, por exemplo.
E quem defende isto - ou seja esta injeção de ânimo - deve ser o ministro Alcides Tápías, do Desenvolvimento, sugere um empresário paranaense ouvido ontem por esta coluna. Deve ter o dedo do Tápias. Ele tem sido persistente como água em pedra dura para fazer o País se mover em direção ao crescimento econômico. Isso tem-lhe custado perda de espaço dentro do governo. E frequente queda-de-braço com Malan.
De fato, não é estilo de Pedro Malan, um burocrata de carteirinha que até hoje não conseguiu tirar o País da primeira etapa do Plano de estabiladade, aquela do sacrifício. Só sacrifício. A distribuição da riqueza, que tem ambiente propício para crescer nas economias estáveis, no caso do Brasil, não conseguiu emergir.
Mas vai chegar o ponto em que Tápias vai perder a queda de braço. Malan só cedeu até agora por aspirar cargo eletivo. Assim, ambos mantém um bom relacionamento. Mas, que são estilos frontais e opostos, ninguém deve ter dúvida. Tápias aponta rumos que não convêm a Malan, que sofre a síndrome de ataques especulativos externos, como os da bolsas asiáticas, ano passado.
LEITURA DINÂMICA
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