Oswaldo Petrin
No Fórum Brasileiro da Cadeia Produtiva da Carne Bovina, em São Paulo, ontem, o clima era de otimismo. Um plano para alavancar a engorda intensiva - naquele Estado - e muitos planos para garantir a competeitividade da carne. Um modelo para o Brasil, segundo técnicos do Instituto de Zootecnia.
Ganhou mais notoriedade a informação de o Brasil deverá voltar a exportar carne bovina in natura para os Estados Unidos a partir de 2001. A informação do secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Roberto Giannetti da Fonseca, que a indústria vê com certo ceticismo a julgar pela avaliação do experiênte Hélio Toledo, do Sindicato da Indústria do Frio em declarações a esta coluna, ao final do evento (veja abaixo).
Realmente, o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Rubens Barbosa, confirmou que o governo norte-americano já está na fase final de aprovação de importação de carne brasileira. Estas compras norte-americanas estiveram suspensas por motivos sanitários. Fonseca não sabe, contudo, qual é o montante das exportações.
O secretário afirmou também que, ainda este ano, o Brasil estará exportando também carne bovina para a África. Segundo ele, os exportadores brasileiros já estão em conversações com representantes da Nigéria, Costa do Marfim, Angola e Gabão, além de outros países do Oriente Médio. Gianetti afirmou - à Agência Estado - que ainda não existem volumes definidos, mas acrescentou que a alta do petróleo vai impulsionar a importação de carne deste países. Ele estima que as vendas para estes países atinjam até 150 mil toneladas.
Gianetti diz que Brasil tem potencial e carne disponível para atingir US$ 1 bilhão de receita em 2000. Gianetti disse também que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) vai priorizar os setores de exportação em seus financiamentos e que os frigoríficos terão linha própria para se modernizarem e contribuir para o aumento das exportações. Gianetti disse ainda que o saldo da balança comercial agrícola deverá ficar em US$ 16 bilhões neste ano, com volume de US$ 3 bilhões superior à do ano passado. Ele disse que a queda de preço do café e o fato de o Brasil estar exportando mais soja em grãos do que derivados não deve prejudicar muito o saldo final.
O Brasil tem mais condições de aumentar suas vendas externas de carne bovina para países da África e Ásia por não possuírem barreiras expressivas. O mercado europeu não tem um potencial de crescimento grande. O consumo europeu de carne tem se mostrado em queda nos últimos anos, em torno de 19,4 kg per capita, e as barreiras existentes limitam as exportações.





