O Banco Mundial (Bird) tem muito, mas muito dinheiro para financiar a pequena propriedade. A dúvida é se inclui aí os assentamentos. O diretor do Banco Mundial para o Brasil, Gobind Nankani, informou ontem que a instituição vai destinar ao Brasil US$ 200 milhões para crédito fundiário. Os recursos servirão para financiar infra-estrutura em pequenas propriedades rurais. Nankani disse que a liberação da verba depende ainda da conclusão das negociações com o governo federal e da aprovação final do banco, o que pode acontecer em quatro meses. O Bird emprestará o dinheiro ao governo, que o repassará a fundo perdido aos produtores. A verba poderá ser usada para construção de escolas na área rural ou redes de esgoto e água, exemplificou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos.
Nankani foi palestrante na solenidade de abertura de fórum promovido pela Conab, em Porto Alegre. Disse que há 13 mil famílias aguardando a liberação dos recursos. Santos lembrou que este dinheiro poderá ser usado por agricultores que comprarem terras situadas abaixo dos patamares de desapropriação com objetivo de reforma agrária. Este limite varia de acordo com a região. A aquisição dos lotes será financiada pelo governo federal. De posse da terra, os pequenos produtores poderão receber o dinheiro do Bird.
O cadastramento para ingressar no programa é feito por associações ou sindicatos de trabalhadores rurais. O presidente da Contag ressaltou ontem à Agência Estado (repórter Sandra Hahn) que o programa não substitui a reforma agrária e que a entidade não apóia nenhuma iniciativa nesse sentido.
Fonte do Ministério da Agricultura disse ontem que o governo não fez nenhuma revelação sobre o assunto e até mesmo desconhece o projeto do Bird. Também o Ministério de Assuntos Fundiários tomou conhecimento da proposta ontem, em Porto Alegre.

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