O ministro Pratini de Moraes, da Agricultura, quer aumentar o diálogo com as lideranças da produção e ‘‘aproveitar bem’’ a proposta para a próxima safra de verão, informou ontem um assessor, ao ser perguntado sobre a proposta entregue ao ministro durante a semana pela Confederação Nacional da Agricultura. A proposta é embasada em estudos técnicos, aprofundados e tem como um dos pontos de destaque a recuperação da renda da atividade. Recuperação, não aumento.
O ponto de preocupação do interior sempre foi a forma com que o governo FHC tem tratado estudos e sugestões que lhe oferecem. Mas, desta vez, não, garantiu o assessor. Desta vez Pratini não quer o desgaste de discutir entre duas propostas, uma do setor interessado, o produtivo, outra dos órgãos do governo.
Esta é a boa notícia da semana. Se necessário haverá longas discussões até esgotar as tentativas, mas a proposta do governo ‘‘será dos produtores’’, adequada aos limites do Tesouro. Para isso o governo vai contar com um aliado: o tempo. Há pelo menos 60 dias pela frente no entender do assessor.
Esta boa vantade de Pratini tem pelo menos duas razões: em primeiro lugar não quer o desgaste de novos embates – como o que trava atualmente com os produtores de arroz do seu Estado – e, o segundo ponto são os dados de exportação e de abastecimento. Adicionalmente, preocupa o governo o risco de seca já prevista pelos institutos de meteorologia que pode comprometer a produção de trigo e entrar pela safra de verão. Atraso no plantio, como ano passado, é a consequência mínima.
Os números que estimulam o governo: as exportações brasileiras de agronegócio obtiveram um superávit de US$ 3,6 bilhões de janeiro a abril deste ano, apesar de ter ocorrido uma queda significativa nos preços das principais commodities, como soja, café e carnes, conforme dados divulgados durante a pela Agência Estado. Este saldo é resultante de exportações no valor de US$ 5,66 bilhões e importações de US$ 2,08 bilhões no setor. Comparando com o mesmo período do ano passado, as exportações se mantiveram constantes em função do atraso na comercialização das principais commodities e da fraca recuperação dos preços internacionais.
Nas exportações globais feitas pelo País de janeiro a abril deste ano, o agronegócio teve uma participação de 34,91%. As exportações do complexo soja tiveram uma queda de 4,76% no período, registrando vendas externas de US$ 881 milhões contra importações de US$ 925 milhões.

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