A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) quer incentivar a co-geração de energia elétrica a partir do bagaço de cana, atraindo investimentos de R$ 1,5 bilhão do capital privado, nacional e estrangeiro, para a capacitação das usinas que processam cana-de-açúcar. A notícia foi dada ontem pelo diretor superintendente de regulação dos serviços de geração da Aneel, José Alves de Melo Franco, a um grupo de usineiros da região.
O País precisará a partir de 2001 de pelo menos mais 4 mil MW anuais extras para atender ao crescimento constante do consumo de energia na ordem de 5% ao ano nos últimos cinco anos. Deste total, pelo menos 2 mil MW deverão ser provenientes do bagaço da cana produzido em todo o País.
O restante deverá vir de fontes alternativas de co-geração, como uma pequena hidrelétrica ou uma térmica a gás, por exemplo, explicou ele. ‘‘O País não pode descartar qualquer fonte de energia, seja ela importada da Argentina ou gerada a partir de investimentos na cana’’ (AE).
Juros/café O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou ontem a redução dos juros e ampliou o prazo para pagamento nas vendas de estoque de café do governo. A taxa que era de 20% fixa, ao ano, passa a seguir a taxa Selic do Banco Central, que é de 18,5%.
O prazo total para pagamento da operação que era de 90 dias foi ampliado para 180 dias. O diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Roberto Abreu, explicou que ao adquirir o produto nos leilões do governo, o comprador pode pagar à vista ou à prazo. No caso das vendas à prazo, conforme a decisão do CMN, o comprador poderá pagar 10% do valor da compra 10 dias após a realização do leilão. Os 90% restantes do débito serão pagos em seis parcelas mensais consecutivas de 15% cada uma, vencíveis a cada 30 dias, o que corresponde a pagamentos em 30, 60, 90, 120, 150, e em 180 dias. Pelo sistema anterior, o comprador de café nos leilões do governo pagava 15% do valor da compra 10 dias após a realização do leilão, e o restante em três parcelas (30, 60 e 90 dias).
A vantagem da geração da energia a partir da cana é que ela vai atender ao mercado exatamente no período em que ele apresenta mais problemas, os meses de seca, entre maio e setembro. No País, hoje, pelo menos 90% da energia é de usinas hidrelétricas, e sempre víamos a co-geração com o problema da falta de continuidade durante o ano todo por conta da safra, mas percebemos que ela pode trabalhar como uma alternativa rentável e eficiente’’, disse.
Segundo Franco, a nova legislação determina um limite de preço a ser cobrado pela energia gerada a partir do bagaço ‘‘um pouco mais alto’’ do que as demais fontes de energia.

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