Achatamento salarial, desemprego e arrocho no crediário, ao estilo da equipe econômica de FHC, levam os consumidores a conter seus gastos até o osso. No caso dos alimentos, os primeiros sinais ocorrem no deslocamento do consumo para produtos mais baratos. Em situações como esta, aumenta o consumo de macarrão e cai o consumo de grãos e outras proteínas animais ou vegetais. O baixo poder de compra empurra as famílias para as massas, que são mais baratas. Ocorre principalmente quando aumentam os preços do feijão e arroz.
Este não é o único motivo do crescimento da produção de alimentos. Mas é, seguramente, um deles.
A indústria de alimentos continua operando a todo vapor. O primeiro quadrimestre fechou com alta na produção de 11,3% sobre igual período de 1999. Superando mês a mês a expectativa, o setor abriu janeiro com acréscimo de 8,1% sobre idêntico mês do ano anterior, bateu recorde em fevereiro com taxa de 32% e encerrou março com crescimento de 11,3%. Em abril o crescimento foi de 2% se comparado a igual mês de 1999 e negativo 12,5% sobre março.
A acomodação já era prevista tendo em vista crescimento tão expressivo e nunca antes registrado no segmento, informou Dênis Ribeiro, economista da Associação Brasileira da Indústrias Alimentícias (Abia).
O cenário, muito mais cedo que no ano passado, obrigou a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentos (Abia) a refazer para cima os cálculos previstos para 2000. A princípio, a projeção era crescer entre 3,5% e 4,5% e o faturamento de US$ 74,6 bilhões seguiria o mesmo patamar.
Fatores favoráveis, como estimativa de crescimento do PIB de 4%, explica Ribeiro, permitiu à entidade quase dobrar o índice estimado em janeiro. ‘‘O semestre deverá acumular aumento de até 10% e o ano tende encerrar na casa dos 7%’’, aposta. - Juros baixos e inflação sob controle, associados ao maior volume de crédito injetado na economia, na opinião de Ribeiro, são outros fatores preponderantes nos resultados da indústria. Desde a implantação do Plano real, há seis anos, o setor desconhecia taxas desta grandeza.
As exportações de produtos industrializados, segundo Ribeiro, somaram US$ 1,5 bilhão ante US$ 1,6 bilhão no trimestre passado, o que significou queda de 5 1%. A Abia ainda não dispõe do resultado dos primeiros quatro meses. ‘‘O ano deverá fechar ligeiramente acima dos US$ 8,4 bilhões faturados em 1999 podendo ultrapassar US$ 9 bilhões’’, prevê.
O setor de agribussines, no mesmo período, registrou recuou de 10,5%. As vendas totalizaram US$ 2,4 bilhões no trimestre ante os US$ 2,6 bilhões obtidos entre janeiro e março do ano passado. Em 1999, o setor exportou US$ 14 bilhões e importou US$ 3,9 bilhões.

LEITURA DINÂMICA
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