No meio da semana o Banco Central, através do Comitê de Política Monetária (Copom) manteve os juros básicos na traxa de 18,5%. Preferiu a cautela – e manter a economia numa camisa-de-força – ao invés do crescimento da atividade produtiva, porém com algum risco de ataques especulativos ou outros fatores externos, conforme já foi comentado aqui.
Os efeitos da manutenção do arrocho – custo de captação – sobre taxas praticadas no mercado e outros setores da economia só serão sentidos mesmo na próxima semana. Os primeiros sinais, três dias depois, são de que as taxas no mercado não mudaram. Talvez porque vem mantendo limite de alta. Basta verificar o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) das lojas de departamento que têm financeiras próprias. Para não falar as taxas do cheque especial.
Mas, se os juros básicos não aumentaram, apenas foram matidos no mesmo patamar de dois meses atrás, não haveria razão para aumento das taxas de mercado. Realmente. Só que ao manter os juros em 18,5%, o Banco Central estava mandando o seguinte recado: cautela com a expansão de crédito, com os investimentos e rigor com as gorduras.
Portanto, a questão não se restringe à manutenção dos juros. A leitura que os agentes econômicos fazem da decisão de quarta-feira vai além do percentual em si. Tanto que a trajetória de queda das taxas juros também foi interrompida. Uma ou outra financeira deixaram de fazer isto porque têm escala em carteira. Mesmo assim a diferença entre as taxas em relação à concorrência é muito pequena. Aliás, com os juros básicos no mesmo patamar durante muito tempo, e agora sem o chamado viés, a tendência das taxas de juros é ficarem mais homogêneas, sem aquelas diferenças gritantes entre uma e outra casa.
Só não haverá aumento nas taxas de juros do mercado porque não há demanda e a concorrência é muito grande entre financeiras e bancos; entre as lojas que vendem a prazo e os preços à vista. E porque o consumo está com o pé no freio.
No agronegócio, a soja que – ao contrário da carne – não aproveitou
tendência dos juros e do câmbio favorável para exportar. Por isso o mercado fechou a semana sem alteração. Idem com relação ao café, só que no caso do café havia outra variável: a expectativa do mercado diante da retenção dos estoques. Os frigorícos de exportação aproveitaram bem a variação cambial: aumentaram os embarques e elevaram o preço ao produtor para R$ 36,50 na sexta-feira.
De positivo nessa história dos juros existe a certeza de que iminentes turbulências externas – que têm desvalorizado o real em relação ao dólar desde o início do mês – não têm elevado o IPCA, isto é, não rebate na inflação.

LEITURA DINÂMICA
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