O certificado de Zona Livre de Aftosa com Vacinação é uma conquista, mas não é tudo. Certificados são necessários, principalmente no caso da Organização Internacional de Epizootias (OIE) que tem cacife e autoridade no mundo inteiro para tomar decisões de peso econômico, não se trata, portanto, de simples Isos, que são apenas um referencial de qualidade – nem por isso, porém, desprezíveis.
O Paraná, contudo, não pode perder de vista que tem outras etapas pela frente. Como o próprio título condiciona, o Estado é zona livre de aftosa ‘‘com vacinação’’. Este é o certificado. Argentina já o tem, mas de zona livre ‘‘sem vacinação’’, o que lhe confere maior grau de confiabilidade, a exemplo do Rio Grande do Sul e Santa Catarina que chegam a esse nível ainda este ano.
É preciso discutir agora o acordo sanitário com a União Européia, um desafio. Ainda mais porque essas discussões não são destituídas do componente comercial. O endurecimento das regras de sanidade ocorrem no justo calibre da variável comercial. O termômetro são a oferta e a procura. Dependendo das condições dos seus estoques, a UE é capaz de se arvorar contra os carrapatos que mal combatemos, porém ignorar pontos favoráveis como o fato de o boi brasileiro se alimentar mais de capim verde e natural, e menos de ração concentrada, e que, por isso, está longe de episódios como o da ‘‘vaca louca’’.
Desde que a exigência sanitária passou a ser o novo nome de barreira alfandegária e do protecionismo, que a globalização não consegue demolir, é bom não vacilar porque, esgotado o item aftosa, virão outros alvos, outras doenças, zoonoses ou não, que entrarão na pauta das negociações.
E, pensando bem, fomos merecidamente reconhecidos e premiados com relação à aftosa. Mas, pergunta-se, o que mais fizemos para garantir que não ocorram outras doenças?. Quando o produto sai da porteira da fazenda e entra na indústria, aí então, as coisas se complicam definitivamente.
Estabelecida a igualdade sanitária entre os Estados e países vizinhos, vem a corrida para exportação. Sai na frente quem tiver mais agressividade comercial e souber explorar nichos. Argentina já reinou nesse mercado e quer recuperar tempo e espaço perdidos. Problemas políticos internos atrapalharam muito quem já foi o maior exportador do mundo.
Mas a delegação brasileira que está em Paris está se saindo muito bem. Ontem, por exemplo, se reuniu com importadores franceses de soja. Se conseguir pavimentar esse caminho, terá avançado bastante. Os franceses são exigentes e não têm a melhor imagem de países em desenvolvimento, como o Brasil.

LEITURA DINÂMICA
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