O Banco Central continua devendo - ao setor produtivo e à sociedade em geral - a readequação das taxas Over/Selic para um indicador neutro que, respeitado o viés necessário para pequenos ajustes, deveria ficar ao redor dos 16,5% a 17%. Este percentual para os juros básicos, bem como o conceito de neutralidade para balizamento e flutuação das taxas, foram estipulados pelo próprio presidente do BC, Harmínio Fraga, semanas atrás. Aliás, na Terça-feira, véspera da reunião, ontem, do Copom, Fraga voltou a dizer que a economia suporta o afrouxamento dos juros.
No entanto, confirmando o que se esperava, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, optou, ontem, pela manutenção dos juros básicos em 18,5%. É uma posição cautelosa e conservadora preocupada em resguardar a estabilidade econômia das variáveis externas: A) o Banco Central Americano (FED) manteve os juros em alta, para frear a economia interna com excesso de liquidez, B) instabilidade do índice Nasdaq, que expessa o comportamento da moderna economia mundial; C) falta de confiança com relação ao desempenho da balança comercial, D) iminente aumento do preço do petróleo no mercado externo.
Como se observa, e conforme Fraga deixou entrever na véspera, são fatores externos que estão mantendo os juros em alta. Não chega a ser medo de um ataque especulativo como a crise das bolsas dois anos atrás. Mas é uma posição que expressa toda a vulnerabilidade da economia brasileira.
Consequência disso? Nenhuma consequência pontual ou episódica imediata. No entanto, nada pior do que juros altos para inibir investimentos e crescimento econômico que tem implicação direta na distribuição de riquezas, oferta de empregos. São perdas na atividade econômica que respinga sim na questão social.
Na contabilidade social, portanto, a manutenção da taxa no atual patamar é algo devastador, ainda que não se trate de aumento de juros, apenas uma cautelosa manutenção. Agravante na decisão da reunião do Copom é o seu efeito subjetivo. Anunciada a decisão de manter o juros básicos em 18,5% e suas razões, cada agente econômico vai apurar seu desconfiômetro em relação da macroeconomia e tomar mais cuidados com planos de expansão. Digamos que após a reunião de ontem do Copom, o quadro econômico, visto pelos empresários fica menos confiante. Para os especuladores, embora mantida uma taxa mais atraente, a postura cautelosa não deixa de sugerir certa insegurança.
Enfim, apesar dos fatores convergentes para manutenção da taxa de 18,5%, o Brasil perdeu mais uma oportunidade e ousar perante o mercado externo e beneficiar a atividade econômica produtiva.

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