Oswaldo Petrin
O Brasil está criando barreiras para a entrada de produtos transgênicos. A medida beneficia o preço interno do milho porque dificulta as importações já que, tanto na Argentina como nos EUA, principais fornecedores, quase tudo são transgêncios - o que lhes confere redução de custos e consequente maior competitividade.
Mas, apesar do benefício comercial, o governo começa a enfrentar problemas com os Estados Unidos, mesmo antes da entrada em vigor da Instrução Normativa que define as regras para importação de produtos geneticamente modificados. É que o embaixador dos EUA, Anthony Harrington, não gostou da medida.
Harrington acha que o Brasil deve aproveitar o avanço científico. Logo, sugere que, ao dificultar a entrada de transgênicos o País não está aproveitando as oportunidades desses avanços tecnológicos.
Há um erro nessa afirmação, feita dias atrás. Ao deixar de importar matéria-prima industrial, isto é o grão colhido nos EUA ou Argentina, o Brasil não perde oportunidade alguma. A oportunidade perdida estaria em não admitir como fez ano passado o plantio das sementes geneticamente modificadas, abrindo mão de beneficiar seu agricultor com as vantagens do menor custo proporcionado pela nova técnica.
Abrir as fronteiras para produtos que resultem de tecnologias prontas como faz no setor industrial não significa abrir as portas para entrada do conhecimento tecnológico: o que entra, isto sim, são produtos (prontos) resultantes da tecnologia.
No caso do milho e da soja, já que não foi autorizado o emprego da tecnologia, então que, pelo menos, se limite também a entrada do produto pronto. Do contrário, será mais um fator adverso aos nossos produtores além de oferecer aos consumidores alimentos derivados de transgênicos, já que o consumo é o argumento usado pelos ambientalistas.
Se o governo ceder e retirar as restrições, teremos então a seguinte contradição: plantar transgênicos não pode; consumir, pode. Só faltava essa ironia: os transgênicos dos outros são melhores que os nossos.
Ocorreu com a carne bovina. Durante longo tempo perdurou a intrigante questão: não se podia como ainda não pode usar anabolizantes ou hormônios reguladores de engorda. No entanto, produtos similares eram autorizadas na Argentina, cuja picanha adoramos. Enquanto o câmbio favoreceu, o mercado local esteve abarrotado.





