OSWALDO PETRIN
A semana reserva uma série de fatos novos. Um deles é a Proposta do Setor Produtivo para o Plano de Safra 2000/2001. Na quarta-feira, das 8 às 17h30, haverá reunião da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Esta comissão tem a responsabilidade de elaborar a proposta para o Plano de Safra. É composta de técnicos e lideranças qualificados que, além de sintonizados com o setor produtivo, ainda reúnem conhecimentos no âmbito do planejamento, para encaminhar as propostas ao governo. Muitas decisões do governo para a política agrícola passam pela Comissão Nacional de Cerais, Fibras e Oleagiosas da CNA.
Crédito rural, preços mínimos de garantia, seguro agrícola, insumos agropecuários e comercialização da safra, fazem parte da proposta para o novo Plano de Safra.
Também esta semana o mercado cafeeiro vai clarear mais a tendência de preços, em face do acordo aprovado na última sexta-feira, em Londres, pela Associação dos Países Produtores de Café (APPC).
Uma polêmica deve marcar as discussões e especulações em torno do assunto café: há quem afirme que o acordo não foi um bom negócio para o Brasil.
O acordo de retenção de café firmado em Londres entre os países produtores só deve prejudicar o Brasil, segundo acreditam analistas, exportadores e produtores de café. Foi uma tremenda burrada, disse a professora de Economia Agrícola da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo, Silvia Saez. A experiência mostra que, no passado, os acordos, cujo objetivo era dar sustentação às cotações do produto no mercado internacional, acabavam contribuindo para acumulação de estoques, o que resultava no aviltamento dos preços, disse.
A situação atual é ainda pior. Nas décadas de 60 e 70, os acordos eram negociados no âmbito da Organização Internacional do Café (OIC), isto é, com a participação dos países consumidores de café. Isso ocorreu, principalmente, nas décadas de 60 e 70, quando o Brasil contava com a infra-estrutura e o apoio logístico do Instituto Brasileiro do Café (IBC), que dispunha de armazéns e técnicos qualificados para acompanhar os embarques e a estocagem. Mas hoje a realidade é diferente.
Para produtores de café e operadores de mercado, nenhuma estratégia foi tão ousada e inteligente como a de 1994. Os preços internacionais estavam em baixa. O Brasil não conseguia mais do que US$ 45,00/saca. O ministro da Indústria e Comércio, José Eduardo de Andrade Vieira, reuniu mais de 50 países produtores em Brasília. Foi fundada a Associação dos Países Produtores de Café (APPC) e montada uma estratégia de retenção. Os preços, em menos de 60 dias, ultrapassaram a casa dos US$ 100,00.
LEITURA DINÂMICA
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