Oswaldo Petrin
O governo quer organizar (e incentivar) a citricultura no Paraná. O Ministério da Agricultura e a Campanha de Erradicação do Câncro Cítrico (Canec), vêm se reunindo (em Maringá, Paranavaí e Rolândia) com técnicos e produtores de laranja. Antônio Locatelli, coordenador da Canec, disse ontem a este jornal que o Estado tem condições de competir em pé de igualdade no mercado de frutas in natura por causa da qualidade e paladar de seus frutos, pois apresenta um microclima favorável à produção. Faltava apenas uma política que garanta esta participação e um envolvimento maior dos governos estadual e federal na ação contra o cancro para reverter o quadro atual.
Fala-se até na criação de uma fundação nos moldes da Fundacitrus de São Pauloá com objetivo central de fortalecer os produtores paranaenses, a agroindústria e a cadeia produtiva, num plano global de política agrária.
E ontem o Programa de Estudos dos Negócios Agrícolas (Pensa), da FEA/USP, apresentou os resultados do trabalho Dimensionamento da Cadeia Citrícola, encomendado pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). O trabalho traçou um perfil detalhado do setor e mostrou que em 1999, o suco de laranja foi a única cadeia, juntamente com a celulose, a aumentar o volume de recursos ingressados no País. No total, foram cerca de US$ 1,33 bilhão. O sistema citrus é o oitavo produto na pauta das exportações brasileiras, respondendo por 2 6% do total dos produtos exportados pelo Brasil.
O Pensa reuniu representantes de diferentes segmentos da cadeia. Divididos em grupos, os participantes foram unânimes ao destacar a importância de investir no mercado interno. Hoje, o setor produtivo concentra sua atividade na venda de frutas à indústria de suco congelado, destinado à exportação. Prova disso é a movimentação financeira US$ 1,33 bilhão bastante superior ao mercado interno de frutas secas, que movimenta apenas US$ 665 milhões, ou ainda, a indústria de suco pasteurizado, com um giro de US$ 42 milhões.
O produtor precisa olhar para outras fontes de venda, segundo o professor da FAE em Ribeirão Preto, Marcos Fava Neto. O segmento parece estar acordando. O mercado de fruta fresca passou a ser um residual da indústria de congelados. Se falta laranja lá fora, manda-se para lá; se sobra, joga-se aqui dentro...
A verdade é que a citricultura está em crise e o ano será dramático para as exportações. O mercado interno é a salvação da lavoura.
O aumento do consumo interno é o fator fundamental na sustentação da cadeia. Ficou, porém, destacado, que futuras campanhas para aumento de consumo que venham a ser definidas precisarão ser ancoradas não só em quantidade, mas em qualidade e regularidade da oferta.
LEITURA DINÂMICA
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