A greve dos caminhoneiros – que em muitos centros atacadistas não passou de um fiasco –, está sendo apontada pela Fundação Getúlio Vargas como fator de alta dos preços na segunda prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) de maio.
Ainda que a alta ‘‘pontual’’, segundo os técnicos, venha a ser diluída ao longo do mês, o que está patente aí é a fragilidade da economia, notadamente do abastecimento de produtos básicos. Ou o sistema é muito frágil, ou a especulação é muito forte.
Episódios tão efêmeros, de curta duração, não podem transparecer num contexto de preços tão amplo, ainda que se trate de transporte, um setor realmente nevrálgico.
O que dizer, então, de longos meses de seca, afetando produtos de peso na cesta básica?
O chefe do Centro de Pesquisa de Preços da FGV, Paulo Sidney Melo Cota, comenta que o comportamento da inflação no primeiro quadrimestre deste ano está sendo bem diferente do verificado no mesmo período do ano passado, quando o IGPM atingiu um acumulado de 8,21%, puxado pelos preços no atacado, que haviam subido 12,22%, enquanto a variação no varejo se mantinha baixa, em 3,58%.
Este ano, o IGPM acumulado de 2,20% nos primeiros quatro meses do ano se deve a índices baixos tanto no atacado (o Índice de Preços no Atacado, IPA, registrou variação de 1,81%) quanto no varejo (o Índice de Preços ao Consumidor, IPC, ficou em 2,33%). ‘‘No ano passado houve uma grande influência da mudança cambial nos preços do atacado’’, justifica o economista.
A segunda prévia do IGPM, divulgada ontem, mostra o comportamento dos preços do dia 21 de abril a 10 de maio, na comparação com a média dos preços entre 21 de março e 20 de abril. Pelo período que abrange, carrega não só os efeitos da greve dos caminhões, como também do aumento do salário mínimo (para os preços ao consumidor). ‘‘Com a paralisação dos caminhoneiros, os produtos agrícolas, que estavam com seus preços em queda, começaram a subir, como a cebola, que aumentou 37,7%’’, diz Melo Cota (AE). ‘‘Mas a tendência é de que eles voltem à trajetória de queda’’, comentou.

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