Oswaldo Petrin
A equipe econômica que chegou a ensaiar nova redução dos juros, vai ter que conviver com novas taxas de juros norte-americanos, aumentadas ontem. A presença forte do Banco Central mantendo a política monetária em camisa de força foi criticada ontem durante o 12º Fórum Nacional de Altos Estudos pelo economista Antonio Barros de Castro da Univesidade Federal do Rio de Janeiro.
O economista Barros de Castro disse ontem que enquanto nos anos 70, quando o Brasil adotava o modelo econômico chamado de nacional-desenvolvimentismo, a população na faixa de pobreza foi reduzida de 68% para 33% do total, nos anos 90, sob o modelo liberal, essa redução foi de 30% para 21%.
Castro, que foi presidente do BNDES, apresentou os dados, durante debate no para enfatizar que o Brasil não pode hoje sustentar um discurso segundo o qual o modelo anterior foi um fracasso e que é a fonte das mazelas que persistem.
Para o economista, o nacional-desenvolvimentismo deu errado em outros países (ele não citou exemplos), mas deu certo no Brasil e foi o responsável pela construção da base industrial que permitiu ao país enfrentar o período de crises que começou nos anos 80.
Para Castro, há entre os formuladores de pensamento no Brasil, a começar pelas esquerdas, o hábito de só enfatizar os fracassos. Segundo ele, as esquerdas não podem justificar a rejeição ao modelo anterior pelo fato de ele ter sido abraçado pelo regime militar porque desde o governo de Juscelino Kubitschek (1956/1960) que elas já o rejeitavam. (Chico Santos, AE).
Agora ele afirma que os principais fundamentos da economia do país vão bem e que é até possível um crescimento econômico superior a 4%.
Castro disse que o Brasil não pode agora explicitar sua estratégia, para evitar complicações políticas. Mas destacou que, embora seguindo o modelo neoliberal, o país tem instrumento de intervenção, como a política de câmbio flexível, para adotar políticas próprias em momentos de necessidade.
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