Oswaldo Petrin
Dias atrás, foi discutido nesta coluna que o mercado teria de conviver por mais alguns meses com juros altos, apesar do próprio Banco Central admitir uma taxa de juros básicos abaixo dos atuais 18,5%. Seriam juros neutros, ou seja não gravosos para a economia e, ao mesmo tempo, insuficientes para estimular inflação de demanda. Essas taxas, entre 15,5% e 16,5%, seria uma demonstração de boa vontade do governo em abrir mão da política monetária - expressa nos juros altos - para manter a estabilidade econômica.
Uma nova redução dos juros básicos poderia romper a resistência de algumas modalidades de crédito: leasing, cheque especial, crédito pessoal, credito direto ao consumidor, etc continuam com taxas exorbitantes.
É, mas esta possibilidade de redução das taxas durou pouco. O mercado ainda não se despojou do vício das taxas inflacionárias. Na última sexta-feira, os bancos das principais montadoras de veículos elevaram as taxas de juros para financiamento e leasing de veículos. Motivo, segundo eles: as turbulências nas bolsas dos Estados Unidos, que teriam provocado alta no custo de captação do dinheiro no mercado interno.
O Banco General Motors já aumentou a taxa dos planos com prazo superior a 24 meses, para todos os modelos da marca. A taxa mensal passou para 2,29% no parcelamento em até 36 meses e para 2,39% nos planos em até 48 meses. A instituição vai manter, pelo menos até o dia 17, os juros de 1,99% ao mês para o parcelamento em até 24 meses.
A instabilidade no mercado dos Estados Unidos, elevaram o custo de captação no Brasil, argumentou o diretor do Banco GM, Carlos Eduardo Ribeiro, em entrevista à Agência Estado. Ele informou que o banco vai reavaliar semanalmente as taxas. Antes, a necessidade de alteração nos juros era analisada a cada mês. Vamos estudar as taxas toda semana até que o mercado volte ao normal, disse.
O Banco Fiat também vai operar com novas taxas de juros a partir de segunda-feira. De acordo com a instituição, a taxa mensal de 1,99%, aplicada desde 8 de abril nos planos de 12, 24 e 36 meses será mantida só até hoje, domingo. O banco não divulgou as novas taxas (AE).
O Banco Ford garantiu que os juros de 1,99% ao mês não vão subir até domingo. A instituição está estudando um aumento nas taxas e deve divulgar sua decisão na próxima semana. O Banco Volkswagen informou que, por enquanto, vai manter as taxas em 1,99% para planos com prazo até 24 meses e em 2,14% para parcelamento em até 36 meses.
O problema das montadoras não está apenas na captação. Vai ser mais difícil negociar com o consumidor. O comprador de carro, uma faixa mais consciente e racional, vai fazer as contas das taxas anunciadas. E vai questionar os prazos. Talvez, num primeiro momento, ocorra recuo nas vendas.





