O presidente do Conselho de Importadores de Carne dos Estados Unidos (Mica), Richard Atkinson, vai fazer, hoje, a seguinte pergunta ao ministro da Agricultura Pratini de Moraes: ‘‘O que vocês estão esperando para vender carne aos Estados Unidos?’’.
Richard Atkinson é especialista em abastecimento e dirigente de indústria de carnes. O Conselho que preside coordenou a visita de uma missão comercial ao Brasil (Rio Grande do Sul) que termina hoje com uma audiência com o ministro Pratini de Moraes.
Foi Richard quem disse que fará esta pergunta a Pratini, ao ser ‘‘provocado’’ por um repórter da Agência Estado.
O mesmo Richard previu ontem que os produtores brasileiros devem começar a vender carne para os Estados Unidos, o maior importador do mundo deste produto, no início de 2001. ‘‘Meu melhor palpite é ver a carne no nosso mercado no começo de 2001’’, afirmou Atkinson, que participou, na manhã de ontem, de seminário na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul.
Ontem, em Maringá, o ministro Pratini voltou a defender maior agressividade no marketing. No dia anterior, em Brasília, ele disse que o Brasil não é bom vendedor dos seus produtos. No entanto, o mercado lá fora não é tão difícil, a julgar informações da missão do Conselho de Importadores.
Os Estados Unidos procuram fornecedores para 145 mil toneladas este ano. O Brasil poderá habilitar-se para vender sem cota fixa, ao contrário do que fazem a Argentina e o Uruguai. Esta estratégia é a preferida dos produtores gaúchos e foi referendada pelo Mica. Desta forma, o Brasil ingressaria na cota para ‘‘outros países’’, onde estão todos os que não têm limite prefixado.
Esta fatia representa uma venda total de 67 mil toneladas, mas 20 mil toneladas já estão sendo entregues, segundo o dirigente do Mica. O Brasil, portanto, poderia vender até 47 mil toneladas de carne para o mercado norte-americano. O interesse dos importadores norte-americanos pela carne do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina aumentou desde que os Estados receberam certificado de zona livre de aftosa com vacinação.
O Paraná pode ser a bola da vez. No no melhor sentido.
Richard previu que seu país precisará buscar mais carne nos países da América do Sul nos próximos anos pois há uma tendência de a Austrália e a Nova Zelândia priorizarem os mercados asiáticos, mais rentáveis em termos de preços, em detrimento das exportações para os Estados Unidos.

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