Oswaldo Petrin
Não dá para disfarçar as consequências da seca. Todos os produtos de inverno foram parcial ou totalmente prejudicados, inclusive o milho safrinha que tem uma boa resistência à estiagem. Assim, os preços dos produtos agrícolas, incluindo aí a soja (no caso, a seca é no Meio-Oeste norte-americano), devem iniciar uma fase de alta a partir desta semana.
Chuvas localizadas, como as que ocorreram em Goioerê, Campo Mourão e parte do Oeste/Sudoeste, não salvam uma plantação que tem 20 a 40 dias de seca. Enquanto isso, no Norte Pioneiro e no Médio Paranapanema a chuva apenas cobriu o pó, na definição interiorana.
Portanto, a tendência é de alta. O milho puxa a fila.
Os dados oficiais disponíveis até agora são excessivamente cautelosos e não refletem a realidade do campo. Em termos de previsão ou estimativa de perdas, está ocorrendo, neste momento, o mesmo que aconteceu na longa seca do ano passado. As perdas são bem maiores do que se pensa. Só não aparecem na sua real dimensão por falta de agressividade nos levantamentos ou na formulação do quadro estatístico.
Mas não se deve responsabilizar os órgãos públicos ou as empresas de consultoria particulares. Esses órgãos trabalham com dados definitivos. Ano passado, pareciam escamotear a verdade subestimando as perdas; depois chegaram números finais que indicavam prejuízos de 30% no Norte e Oeste do Paraná, e 10% no Sul, para a soja e milho. São médias. Para se chegar a médias regionais como esta é porque microrregiões inteiras tiveram perdas de até 80%.
Quando esses números, reais, chegam ao domínio público, a mercadoria já tem outros donos que não aqueles que poderiam se beneficiar dessa compensação, representada pela equação segundo a qual preços altos reparam a desvantagem de um menor volume. É plausível que a remuneração ocorra no justo calibre da oferta. Não é isso que ocorre, no entanto.
Essa defasagem na informação - motivada por excesso de zelo ou medo para não cair na vala do sensacionalismo - é extremamente prejudicial porque ilude todos os agentes da cadeia produtiva. Não se espera que informações sobre dados da agricultura ocorram em tempo real. Afinal, está se tratando com organismos vivos, animais ou vegetais, que são dinâmicos nas suas reações.
Mas uma coisa é certa: os dados são difusos e, portanto, prejudiciais as duas pontas mais importantes do processo: a da produção e a do consumo.
Como consequência disso ocorrem disfunções como a dessa última semana: os prejuízos causados pela greve dos caminhoneiros foram rapidamente evidenciados e - por conta do interesse do mercado, ou incapacidade de análise da própria imprensa, que não sabe lidar bem com essas coisas -, esses prejuízos já transpareceram na mesa do consumidor. O ministro Pratini de Moraes chegou a dizer que a greve afeta a balança de pagamentos, naturalmente por retardar os embarques refletindo no preço do frete marítimo etc. Certo ou errado, tal previsão reflete a fragilidade da infra-estrutura (ferroviária e porduária). Mas este é outro debate.
APPC Esta semana também será decisiva para a reunião, em Londres, da Associação dos Países Produtores de Café. Tema: medidas conjuntas de retenção do produto para elevar (recuperar) os preços. Por conta do adiamento da reunião, o mercado não sustentou os preços. A Bolsa de Nova York abriu a semana puxando alta de 550 pontos mas fechou a semana em baixa de -25 na sexta-feira.





