Oswaldo Petrin
O Brasil é um país sem vocação para a poupança interna e o brasileiro não tem sobras para poupar. E quem tem não poupa. Não é uma questão cultural; são vícios e herança inflacionários.
Quem poupa mantém o desconfiômetro ligado 24 horas. Afinal, somos o país dos compulsórios, confiscos, sobretaxas, contribuição sociais, etc. E, vira e mexe, os agentes da poupança são questionados sobre o rendimento.
Defeitos à parte, o perfil do destino do fruto da poupança é que começa a ser mudado. O setor público vai ficar longe do bolo da poupança. Os setores de habitação, saneamento e agricultura é que devem liderar, nos próximos anos, a captação de poupança doméstica de longo prazo no Brasil.
Pelo menos é o que prevê o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, que é também secretário-executivo do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Mercado de Capitais e Poupança de Longo Prazo do governo. O setor público vai cada vez menos absorver poupança, que se dirigirá ao setor privado, afirmou Amadeo à Agência Estado, ontem.
Temos que estar procupados com aqueles setores que tradicionalmente são financiados pelo setor público e que num ambiente com condições macroeconômicas propícias à poupança, passam a ser olhados também pelo investidor privado, disse o secretário.
De olho nesse pontencial, o grupo de trabalho formado por representantes do Banco Central, Ministério da Fazenda, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Superintendência de Seguros Privados (Susep), estuda um série de medidas para dar maior segurança aos investidores e tornar mais atrativos os investimentos no mercado de ações, previdência, capitalização e outras alternativas de poupança de longo prazo.
É difícil saber ainda qual dos três setores entre habitação, saneamento e agricultura, terá mais capacidade de desenvolvimento. Mas já está claro que um dos obstáculos que devem ser retirados para estimular o financiamento é a dificuldade que hoje existe no Brasil para a recuperação de créditos.
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