Reforma no crédito
Duas propostas malucas estão em discussão e podem vir a ser adotadas, principalmente porque o governo FHC está à deriva em matéria de política agrícola. As propostas têm em comum a exclusão do Banco do Brasil enquanto agente oficial de crédito rural e a criação de órgãos cujas atribuições se assemelham ao malsucedido Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC). As mudanças estão no bojo de um projeto maior de reestruturação do sistema bancário.
O governo se recusa a aceitar a tese de que o problema não é o Banco do Brasil, mas o pequeno aporte de recursos alocado pelo Tesouro.
A primeira das propostas, encaminhada ao Ministério da Fazenda pela consultoria Booz Allen & Hamilton, sugere o fim das operações de crédito rural pelo BB e o fechamento de agências deficitárias do banco em pequenas cidades, para uma eventual privatização do banco. O crédito rural passaria a ser responsabilidade de um fundo do Tesouro Nacional. Os recursos seriam repassados desse fundo ao produtor por um agente financeiro privado, que receberia remuneração para isso.
A segunda proposta, encaminhada pelo ex-secretário de Política Agrícola, Guilherme Dias, sugere que o BB se retire de operações de crédito rural com pequenos produtores. Dias argumenta que o banco acaba não atendendo bem a estes clientes, e propõe que o financiamento seja feito por pequenos agentes financeiros locais como cooperativas.
Por meio da criação de instrumentos de financiamento, como a CPR financeira e a permissão para que agentes estrangeiros atuem nos mercados futuros de commodities agrícolas brasileiros, o governo espera reduzir a dependência do setor de recursos oficiais - uma proposta muito cogitada desde 1988. Em paralelo, o governo negocia com agentes privados a adesão ao financiamento da agricultura.
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, acha que os bancos privados pouco financiam o setor.
Ora, se os bancos privados repassam poucos recursos para a produção esta é mais uma razão para o governo retomar uma função histórica do BB como executor da política de crédito, ainda que o modelo antigo de crédito rural tenha se exaurido.
Ora, se os bancos privados repassam poucos recursos para a produção esta é mais uma razão para o governo retomar uma função histórica do BB como executor da política de crédito, ainda que o modelo antigo de crédito rural tenha se exaurido. Ao BB, dentro da realidade, caberia lastrear as operações de captação de recursos no mercado (CPR e CPR Financeira) e outras atribuições.
Se os bancos privados - como se queixa o ministro Pratini - não cumprem a aplicação de 25% dos depósitos à vista na atividade do campo (lei da exigibilidade bancária), por que, então, transferir para eles a tarefa de financiar o setor, conforme as propostas em estudo?


LEITURA DINÂMICA

As mudanças são mero paliativo, ou artifício para encobrir uma grande deficiência do Tesouro que não tem dinheiro para a agricultura, não é de hoje.
-A outra deficiência é o próprio governo FHC que não conseguiu enxergar o setor primário como gerador de empregos, divisas e comida barata.
-Comparando: na década de 80, chegou-se a ter até R$ 30 bilhões para a Agricultura, mas este ano o valor é de R$ 8 bilhões e apenas R$ 6 bilhões são dinheiro novo, afirmou.
Com a exclusão do BB do processo, quem vai transferir recursos do Pronaf, Fat e tantas outras linhas de crédito? Qual rede bancária privada tem a capilaridade e a mão-de-obra que o Banco do Brasil?

DROPS
Aquitânica O sorteio de embriões da raça Aquitânica teve como ganhador o pecuarista Maciel Hinokuma, de Campo Mourão. A médica-veterinária Virgínia Gasparini, de Bela Vista do Paraíso, ganhou um Curso de Inovulação.
Aquitânica 2 O sorteio foi realizado dia 17, no Sindicato Rural de Londrina, promoção da Fauel, dr. Harley Pansard e Sindicato.
Semana Santa A Semana Santa diminuiu o ritmo dos negócios com a carne vermelha. Com isso, muitos frigoríficos suspenderam a compra de boi gordo. Em alguns casos os preços caíram para R$ 37,00.
Cerealistas Os atacadistas estão de olho na reação do preço do feijão e aumentam suas compras esta semana. É que o governo deve entrar comprando a R$ 28,00 para enxugar o mercado.

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