Oswaldo Petrin
Sinais de recuperação
Visto pelo comportamento imediato do mercado, neste momento, o cenário não poderia ser pior: a comercialização da soja não flui; o café voltou a cair ontem e os preços do feijão e do frango bateram o fundo do poço e o milho, que deve explodir em alta dentro de um mês, fará estrago a outros segmentos da cadeia.
Mas, a médio e longo prazos em perspectiva de 10 meses a dois anos no máximo , há sinais de reversão. Sinais nítidos, segundo os mais otimistas, com grandes chances de alavancar exportações de carnes todas elas, principalmente suínos e aumento do consumo interno se confirmados os sinais de recuperação da economia, por enquanto restritos e bem localizados.
Não se trata de engrossar o discurso do governo FHC, que é fraco nesta área e retardou todo o processo. É uma questão de mercado.
Está certo que há algo de novo incomodando - a queda das ações de tecnologia do Nasdaq pode comprometer a estabilidade e o crescimento norte-americano, respingando nas economias emergentes. Mas não é hora de somatizar esse tipo de acidente de percurso. Os especialistas voltaram a dizer ontem que o Nasdaq só afetaria a economia brasileira se persistir por mais de um mês.
Contudo, não é bom subestimar, convenhamos. Os próximos dias não serão nada
agradáveis se a queda continuar tão forte e contaminar a Bolsa de Nova York, segundo antecipou Fernando Ferreira, tesoureiro da Placas do Paraná, empresa do grupo Louis Dreifuss. Estamos parando de conviver pacificamente com o processo de ajuste irracional da alta irracional do Nasdaq, com o câmbio e a bolsa sofrendo pressões muito fortes. Declaração ao repórter William Salasar, da Agência Estado. Veja mais nas páginas de Economia desta caderno.
Voltando ao mercado agropecuário: o café desabou ontem nos contratos do mês que vem na Bolsa de Nova York. A safra de soja, devido ao plantio tardio, está com a colheita atrasada (66% neste ano, contra 76% em 99), mas a comercialização está ainda mais devagar. Segundo a técnica Vera Zardo, do Deral (Agência Folha), apenas 22% foram comercializados neste ano, contra 43% no mesmo período de 99.
No caso dos produtos mais populares, notadamente o feijão, a situação só chegou aonde chegou porque o governo demorou para agir. Aliás, nem chegou a agir. Enquanto o ministro Pratini estufa o peito da acordeona, o produtor perde o fôlego. Gaiteiro que é gaiteiro toca melhor no final da safra. Mas a safra e o ministro não se afinam. Fora isto o panorama como sinalizam outros indicadores não permite pessimismo.
LEITURA DINÂMICA
A situação do frango - para o granjeiro - é pior no Estado de São Paulo. Ele recebia R$ 0,79/kg na granja em abril de 98, enquanto a saca de milho custava R$ 7,49 na roça.
-Ontem, o quilo do frango vivo estava em R$ 0,55, enquanto a saca de milho no interior paulista custava R$ 13,17, segundo a BM&F.
-Mas não adianta lamentar a alta do milho - que é saudável e premia quem produz. O mercado é que não assimila a alta do frango e muda de hábito. Normal.
-Ninguém pergunta sobre o aumento dos insumos para produzir milho.
DROPS
É hoje
O lançamento nacional de leilões da CPR Financeira será hoje, às 11h30 (e não ontem como foi divulgado nesta coluna), no Estande do Banco do Brasil no Parque Ney Braga, pelo diretor de Crédito Rural, Ricardo A. Conceição.
Agronegócios Ele chegou no final da tarde e programou visitas, à noite, ao estande do BB, à Sociedade Rural e à Sala de Agronegócios no Sindicato Rural de Londrina. A Sala é uma parceria entre o Sindicato e o BB.
CPR impacto A CPR financeira é um fato importante, uma revolução no sistema de comercialização que reflete na economia agrícola, disse o presidente do Sindicato Rural, Edison Mazei Ponti, ouvido ontem à noite por este jornal.
Garantia BB Depois de explicar como funciona o sistema, Ponti disse que o risco é zero porque a CPR tem a garantia do Banco do Brasil.





