Oswaldo Petrin
-Os empresários de São Paulo estão pressionando o Congresso para que imprima um ritmo rápido às reformas que farão o Brasil sair do buraco. Mas, o máximo que vão conseguir é fazer com que o Congresso caminhe em ritmo menos preguiçoso. As reformas dependem, em primeiro lugar, do Executivo onde enfrentam profundo boicote branco. Para acontecer, elas têm que romper a própria inapetência do Planalto.
-Depois de tudo isto, para emplacar, as reformas ainda têm que enfrentar a questão política. O nível dos políticos é fraco; cada um olha para seu próprio quintal e faz as contas de quantos votos vai perder com o número de clientes eventualmente prejudicados pelas reformas. Portanto, as reformas têm que romper com o populismo, o corporativismo e o interesse menor. Difícil.
-Gente que já esteve no governo está apostando que as reformas não saem neste mandato. O ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, é uma dessas pessoas. Ele não acredita em reformas, porque não acredita que os políticos aprovem medidas que batam de frente com seus interesses (eleitoreiros) diretos. Ainda que tais medidas sejam necessárias para conquistar o desenvolvimento e o bem-estar geral, como mostra a Fipe.
-Segundo a Fipe, o Brasil poderia estar crescendo 7% neste ano, mais do que o dobro do que o esperado para o PIB, que é a soma das riquezas do país, e bem acima das taxas de aumento dos últimos anos. O desemprego poderia ser muito menor, com a criação de algo entre 1,2 milhão e 1,8 mi de novos empregos. O déficit comercial poderia cair para cerca de US$ 4 bi em vez dos US$ 12 bi, no mínimo, projetados para 1997. Todas essas melhoras no desempenho poderiam acontecer se fossem aprovadas as reformas tributária e da Previdência. Isto segundo cálculos feitos por um grupo de economistas da Fipe, que procurou medir quanto custa para o país a demora na implementação de reformas nessas três áreas.
-No caso da reforma tributária, por exemplo, foi avaliado o impacto que
haveria sobre a economia da redução linear de 25% em todos os impostos
indiretos. O levantamento, inédito, foi encomendado à Fipe pela Fiesp, cuja direção quer pressionar o Congresso para que acelere o ritmo de votação das propostas de reforma. Não fazer a reforma tributária significa deixar de crescer 1,5% do PIB ao ano. Não fazer a reforma administrativa significa deixar de crescer 0,4%. E não fazer a reforma da Previdência Social significa deixar de crescer 1,8% do PIB - ou 3,7% no total. Além disso, a realocação dos recursos, a racionalização dos gastos públicos e da tributação que resultariam das três reformas teriam um impacto adicional de 6% do PIB. Mais emprego e mais dinheiro em circulação.O preço





