Oswaldo Petrin
Papel da biotecnologia
Passado o alarido dos movimentos contra avanços da biotecnologia na (re)engenharia genética, aos poucos os defensores dessa ciência vão se manifestando e oferecendo elementos para o debate no terreno das idéias e no plano científico, sem o calor do componente político.
Depois do relatório da Academia de Ciências dos Estados Unidos, apoiado pela Organização das Indústrias de Biotecnologia, agora é a vez do Departamento de Microbiologia da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, e do Laboratório Nacional de Engenharia Genética em Botânica da China se manifestarem.
O professor Zhang-liang Chen, chefe do Comitê de Biotecnologia da Unesco e do Laboratório Nacional de Genética da China, e a professora Jennifer Thomson,da Universidade do Cabo colocam a questão de forma enfática:
Para os países em desenvolvimento, a biotecnologia é uma necessidade. Não é um luxo.
Do ponto de vista de muitos países em desenvolvimento, os benefícios da biotecnologia agrícola são reais, necessários hoje e indispensáveis amanhã, afirma a professora Thomson, que é mestre em genética pela Universidade de Cambridge, com pós-doutorado pela Escola de Medicina da Universidade de Harvard.
Na África do Sul, o cultivo de plantas geneticamente modificadas teve início em meados dos anos 90 e a comercialização de plantas resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas começou em 1998. Estudos feitos no país demonstraram um aumento de 20% na produção de algodão após o uso da variedade conhecida como Bt, desenvolvida pela biotecnologia para se tornar resistente à pragas como a lagarta-da-maçã.
A biotecnologia oferece aos agricultores e consumidores mais que o aumento da produção e culturas livres de pesticidas. As pesquisas com sementes tolerantes ao clima árido do continente africano estão em franco desenvolvimento nos laboratórios sul-africanos, prometendo aumento da produção e retorno econômico aos agricultores e ao país, afirma a professora.
Para Zhang-liang Chen, doutor em biologia e ciências médicas pela Universidade de Washington a biotecnologia é o caminho para alimentar a China, que tem mais de 20% da população mundial e apenas 7% das áreas cultiváveis no mundo.
Conhecendo a realidade sócio-econômica de países como África do Sul e China, é quase uma irresponsabilidade discutir se eles devem ou não fazer uso de uma tecnologia que já mostrou seus benefícios a seus consumidores, afirmam os dois cientistas.
Este jornal está receptivo às idéias favoráveis ou contrárias ao assunto Pelo nosso e-mail (abaixo) ou para o e-mail [email protected].
O leitor também pode obter mais informações na página do Departamento de Microbiologia da Universidade da Cidade do Cabo no seguinte endereço:
http://www.uct.ac.za/microbiology ou na página da Unesco no seguinte endereço
http://www.unesco.org .
LEITURA DINÂMICA
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A Academia de Ciência dos Estados Unidos coloca o assunto em relatório denominado Plantas Geneticamente Modificadas Resistentes à Pragas: Ciência e Regulamentação.
-O relatório conclui que não há evidência de que alimentos provenientes da biotecnologia apresentem riscos à saúde.
-Mas isto não encerra a discussão. Os questionamentos são sempre produtivos. E o consumidor informado.
-O vice-presidente da Organização das Indústrias de Biotecnologia (BIO), o geneticista Val Giddings, diz que o documento recomenda o cultivo de plantas geneticamente modificadas.
-Mas os cientistas não fecham a questão: defendem que mais pesquisas devam ser realizadas.
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Frango/varejo Nesta segunda-feira o Ministério da Agricultura inicia fiscalização sobre sanidade dos frangos. Será feita nos balcões de supermercados.
Frango/Idec A coordenadora do Instituto de Defesa do Consumidor, Marilena Lazzarini, defendeu, dias atrás, que a fiscalização sobre injeção de água e proteína de soja fosse feita no varejo. Sugestão atendida.
Proibido Aplicação de água e proteína de soja nas carcaças de frango está proibida, por pressão do Idec.
Fraude A União Brasileira de Avicultura concorda com a medida. E admite que há frigoríficos usando mais água do que o permitido. Mas a entidade condena o que chamou de fraude.
Pelo que as agências de notícia e o próprio Idec têm divulgado, as fraudes ocorreram principalmente no Estado de Minas Gerais.
Charolês Na notícia sobre Charolês, sexta-feira, a palavra expansão foi gravada com erro. De tão elementar, nem precisa dizer que fora folha de digitação.





