Oswaldo Petrin
Torrando o patrimônio
A imprensa divulgou durante a semana que o desempenho da economia está chegando no momento da grande virada, baseada na boa performence de alguns setores industriais. Incrível como os analistas se apegam a alguns indicadores e fazem deles os principais aferidores da economia.
Para o consumidor, o pequeno empresário e o agricultor, salvo desempenhos bem localizados, a situação não autoriza comemoração. O governo FHC fez uma opção clara, a de controlar a inflação a todo custo. E impôs a saída da recessão econômica, na sua concepção clássica. Assim, a equipe econômica tem se utilizado dos instrumentos convencionais como a) política monetária, fiscal e cambial restritivas, b) limite ao consumo, expresso nas taxas de juros (ainda) elevadas, c) controle da banda cambial e aumento de impostos, d) no âmbito do governo e da política fiscal também optou por soluções lineares com cortes em despesas sociais.
Desde que o caminho escolhido foi o da recessão, o governo só impôs sacrifício. Para os que produzem e os que consomem.
Na prática, o resultado dessa política se expressa, por exemplo, na taxa de desemprego de 7,5% da população economicamente ativa.
Um referencial usado na prospecção de que há sinais de retomada de crescimento - os superávites primários - têm sido obtidos mais pelo aumento das receitas fiscais do que pelo corte de desperdícios nos gastos não essenciais.
Outro ponto ilusório é o do investimento estrangeiro. Está acontecendo sim o retorno de capitais (especulativos) que fugiram na crise das bolsas asiáticas quando os pessimistas achavam que o Brasil seria a bola da vez, o que felizmente não ocorreu. E também aumentou a confiança lá fora. Mas o fechamento das contas externas tem ocorrido à custas da venda de empresas.
Claro que o País precisava se desestatizar, mas que as privatizações convertessem dividendos sociais. Isto não está acontecendo.
Aliás, esta semana o professor Ricardo Carneiro, da Unicamp, afirma em entrevista à Carta Capital que o País tem fechado as contas externas torrando o patrimônio. Ele mostra que, excluindo as fusões e as aquisições, esses investimentos são pouco significativos.
Hoje a economia brasilira está mais vulnerável do que se pensa. Na eventualidade de um crash na Bolsa americana, uma quebra da Argentina ou uma nova crise na Ásia , as condições do Brasil são mais frágeis do que em 1998, inclusive porque o nível de reservas é menor.
LEITURA DINÂMICA
- Somos hoje importadores de bens de maior conteúdo tecnológico e exportadores de bens com maior intensidade de recursos naturais e trabalho.
- Exemplo? Importamos componentes eletrônicos, equipamentos para telecomunicações, eletrônica de computadores, química fina, etc...
- E continumos a exportar produtos com base em recursos naturais: celulose, alumínio, produtos siderúrgicos de baixa elaboração.
- Outro equívoco é achar que estamos numa economia global então temos de escancarar as portas para tecnologia acabada.
- Os pacotes fechados custaram o enfraquecimento da indústria de base, a de bens de capital. E damos às costas à pesquisa nacional.
DROPS
Embriões Um sistema computadorizado para congelamento de embriões (Clon) acaba de ser desenvolvido pela Embrapa de São Carlos (SP).
Embriões 2 O aparelho controla a velocidade de resfriamento dentro da faixa de 40 graus positivo a 40 negativos com diferentes combinações de rampas de resfriamento e aquecimento.
Embriões 3 O congelador permite estocar embriões e depois colocá-los em animais com descendência genética inferior, obtendo embriões superiores, sem precisar de sincronismo de tempo para fazer a coleta.





