Oswaldo Petrin
Decolagem da CPR
A Cédula de Produto Rural (CPR) é excelente instrumento de comercialização antecipada da safra agrícola. Quem garante são os especialistas em mercado de commodities. No entanto, está difícil de pegar, admitem. E o empenho para decolagem da CPR e CPR financeira, não é apenas dos bancos. Na próxima quarta-feira o ministro Pratini de Moraes terá reunião com a direção da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) para explicar as vantagens do investimento na área agrícola - CPR no meio - e detectar quais os empecilhos que ainda existem para que o setor financeiro amplie esses investimentos.
O sistema bancário deixou de destinar à agricultura cerca de R$ 500 milhões somente no último semestre do ano passado por dificuldades nas aplicações ou por falta de atrativos nos rendimentos do setor.
O ministro desencadeou uma ofensiva junto aos bancos para mostrar que a agricultura pode ser um excelente negócio, especialmente depois do lançamento da CPR (Cédula do Produto Rural) com liquidação financeira e da internacionalização das bolsas de mercadorias.
Segundo a Agência Estado (matéria nesta página) A intenção do governo, conforme disse Pratini de Moraes, é a de convencer os bancos privados, especialmente, a ampliarem não só os recursos destinados obrigatoriamente pela lei da exigibilidade bancária (25% sobre os depósitos à vista) na agricultura, mas também a investirem parte dos fundos de ações - tanto de renda fixa como variável - no setor. No ano passado os bancos destinaram R$ 11 bilhões ao setor rural. Embora esta quantia tenha sido aproximadamente o dobro do destinado em 1996, por exemplo, ainda é insuficiente. Pratini diz que a área plantada de grãos no País está estagnada em 40 milhões de hectares desde a década de 80. E a causa principal, segundo ele, é a falta de recursos.
A maior parte dos financiamentos ainda é concedida pelo Banco do Brasil, que oferece mais credibilidade - sendo que os bancos regionais de desenvolvimento reduziram suas aplicações no setor nos últimos anos. Queremos reduzir a dependência do setor agrícola dos recursos oficiais. A agricultura não pode continuar disputando recursos com a saúde, educação e a previdência, diz o ministro.
Segundo o ministro, os dados coletados pelo Ministério da Agricultura - já apresentados à direção do Bradesco e do Banco Real - mostram por exemplo, que a participação do Brasil no mercado externo ainda é ínfima, de 0,9%. Mas, em contrapartida, o agronegócio brasileiro já representa 4% nas transações internacionais do setor. Isso é muito, se considerarmos que os Estados Unidos, maior produtor mundial, possui uma participação de cerca de 10% no agronegócio internacional.
LEITURA DINÂMICA
- O conjunto de medidas sugeridas ao governo para apoio à produção de trigo tinha como ponto inovador o lançamento do Prêmio de Escoamento (PEP) equivalente a 2 mil t ou 33 milhões de sacas.
- Lançamento seria via Bolsa. Governo não entendeu a proposta.
- O excesso de oferta de frango no mercado derrubou os preços para até R$ 0,55 por quilo de frango vivo no Estado de São Paulo.
- A maioria dos negócios ocorreu, no entanto, em R$ 0,60. Nos últimos 30 dias, o preço do frango caiu 20% em São Paulo. Nos quadros abaixo, preços no Paraná.
- O professor Pedro G. Surreaux, da PUC-RS, autor de livros sobre bovinocultura, falará hoje, às 16 horas, sobre a A raça Aquitânica, nova alternativa tropical.
- Será no Sindicato Rural. Promoção do Sindicato e do empresário Harley dos Santos Pansard, criador da raça.
DROPS
Gaiteiro Não se sabe como o ministro Pratini fica pior: se tocando acordeona ou no governo FHC, período em que a agricultura mais se descapitalizou.
Gaiteiro 2 O preço oficial do trigo anunciado esta semana decepcionou. E para desapontar o pessoal do algodão, ele anunciou aumento de produção. Agricultor não gosta disso.
Umuarama -Show Tecnológico Arenito Caiuá, é o nome do evento técnico que vai acontecer em Umuarama, dias 12 e 13 próximos. Novas tecnologias e lançamento de produtos.
Arenito Noroeste está animado com a consolidação do programa de arrendamento para plantio de grãos e recuperação de pastos.
Riqueza Somente a soja injetou R$ 53 milhões na região, na última safra, 1999/2000. (Reportagem será publicada amanhã, no Agribusiness).





