-As distribuidoras de combustíveis estão prevendo queda na produção de álcool anidro, aquele que é adicionado à gasolina na proporção de 22%. É que com a liberação, no ano passado, dos preços do anidro - que agora está a critério do setor produtivo -, a possibilidade de escassez se tornou iminente. Os preços eram previamente fixados e as compras das distribuidoras eram rateadas entre os produtores, sob a supervisão do Departamento Nacional de Combustíveis (DNC), distribuidoras e destilarias.
-Acontece que usinas mais distantes das bases de abastecimento das distribuidoras ‘‘estão sendo preteridas’’ desde que os preços foram liberados, o que poderá forçar os usineiros a aumentar a produção de açúcar e álcool hidratado ainda com preços controlados. Pelo menos esta é a questão levantada esta semana pelo diretor superintendente da Associação das Destilarias Autônomas e Anexas, Norival Galli.
-Se a Associação está exagerando ou não ninguém pode sustentar. Mas uma coisa parece certa. É que para piorar o quadro, houve aumento da safra de cana e o aumento da oferta, o que levou as Destilarias Autônomas a reivindicar do governo o aumento das cotas de exportação de açúcar.
-O diretor do Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Luiz Fortes é a favor do aumento das cotas. Mas afirma que a liberação do mercado levou as distribuidoras a buscar matéria-prima com menor custo. ‘‘A tendência é buscar não apenas usinas mais próximas das bases de armazenagem como também aquelas com maior eficiência’’, explica. ‘‘Nós passamos para um mercado movido pelas leis normais de preço’’, lembra Fortes, à repórter Cláudia Schuffner, da AE, para justificar o atual momento de transição.
-Além da queda da demanda do hidratado - devido à redução da produção pela indústria automobilística -, ele citou o aumento do consumo de álcool anidro e o aumento da safra. Fortes, que também é vice-presidente de operações da Shell do Brasil, explicou que desde maio as distribuidoras firmam contratos de compra com as usinas baseados na estimativa de produção de cada uma. A suspeita, explica Fortes, é que algumas usinas podem ter apresentado estimativas superiores à produção real.
-As distribuidoras pediram ao governo uma revisão do Plano de Safra, para que sejam feitas revisões nos volumes de compra de álcool anidro estabelecidos nos contratos. ‘‘Se identificarmos que realmente algumas usinas têm um plano de safra além do que podem produzir, vamos voltar ao mercado para contratar mais’’, explica Fortes. Ele admite que a falta de álcool anidro pode ocorrer antes disso, já que as usinas que ficaram sem contrato poderão voltar sua produção para o hidratado e açúcar. Distribuidoras defendem a importação do álcool anidro e não a mistura do Metil-Tércio-Butil-Éter (MTBE), um produto considerado tóxico, à gasolina.Soja/taxa

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