Oswaldo Petrin
-Pela primeira vez o governo está admitindo que o nível de consumo, embora alto, vem dando sinais de desaquecimento. O Banco Central chegou a ensaiar que recorreria à política monetária, como flexibilização das taxas de juros e alguns ajustes de câmbio, para virtual errefecimento do consumo, que agora constata não ser necessário. Como o mercado está se comportando dentro dos indicadores esperados, fica descartada, até o momento, a adoção de qualquer medida de restrições ao consumo. Esta é a notícia que o comércio e a indústria precisam para trabalhar com um pouco mais de tranquilidade.
-Há uma variável política exercendo forte influência sobre a preocupação do governo, que não se limita ao aumento potencial de consumo. É que, esses sinais de aquecimento de três ou quatro semanas atrás coincidiriam com um período politicamente turbulento para o governo. As denúncias de compra de votos afetaram a credibilidade do governo respingando no Plano Real, sem sombra de dúvida.
-Coincidência ou não, no mesmo período foram feitas pesquisas sobre o índice de credibilidade do Plano Real: embora alto, ainda, o índice caiu consideravelmente. O termômento para aferir o plano foi mais político do que econômico pois e a pesquisa incorporou demasiadamente o componente momentâneo, emotivo. As pessoas estavam preocupadas - ou inconformadas com a possível compra de voto e julgaram o escândalo e não o plano, sobre o qual ainda se ouve muitos elogios.
-A pesquisa, cujos dados foram mascarados por todas essas conotações, foi um sinalizador equivocado para o governo, que se precipitou na defensiva. A pesquisa e as especulações de escândalo político deixaram o plano vulnerável. Não há plano sólido quando o governo está politicamente enfraquecido. E quando o julgamento é mais emocional do que calculista, não há como dissociar a performance da estabilidade econômica do comportamento palacioano, na sua obstinada busca eleitoral.
-Com o plano vulnerável, o governo tratou de recorrer ao instrumento mais forte que tem ao alcance, no caso o de política monetária. Inibir o consumo é retrocesso, mas é o que se sabe fazer. Em outros tempos o governo encurtou as rédeas do consumo para socorrer a balança comercial.
-Se é pela estabilidade do plano, que assim seja. Não é plausível, mas é tolerável, principalmente quando certos agentes econômicos esfregam as mãos na torcida por uma chance para remarcar preços. Na verdade, o governo esteve à beira de uma crise política e não teria como evitar que isso transparecesse no comportamento das pessoas perante o Plano. E o plano (sobre)vive de credibilidade. Mal refeito do primeiro impacto, o Plano volta a se sustentar.
-E a oportunidade de consumir fica adiada. De novo. Ainda bem que nos supermercados as vendas crescem.Vendas caem





