Chuvas de março
Começo de semana, começo de mês. Março promete uma série de definições. Além de representar o fim do período (apenas imaginário) de recessão e ausência de negócios. Recessão macroeconômica sim, mas calmaria nos negócios nem pensar; pelo contrário, houve muita agitação (por conta da queda livre do café) e algumas surpresas como o preço do milho. Embora, tradicionalmente, em tempo de oferta o preço costuma cair, desta vez todos os prognósticos eram de que os preços se manteriam, mesmo com a entrada da nova colheita, tendo em vista o quadro de escassez do produto. Mas a recuperação do preço do milho é apenas uma questão de algumas semanas.
Além do mercado, março consolida o fim da estiagem, depois de um fevereiro agradavelmente chuvoso (mesmo interrompendo algumas colheitas) para todo o Estado.
Se o preço do café não parar de cair, lideranças agropecuárias devem propor esta semana que o governo adote uma estratégia redução das ofertas e retenção dos estoques já que no âmbito da Associação dos Países Produtores (APPC) não houve consenso, por enquanto. Se quiser adotar a medida por conta própria (os próprios produtores não acreditam) o governo pode recorrer ao Funcafé. Neste ponto Londrina se antecipou pedindo a suspensão do leilão (veja Drops).
Outro mercado que, finalmente, terá uma definição, é o do algodão. Com certeza o quadro vai se clarear daqui para frente. Como diz o Deral, o período de colheita de algodão está se aproximando e nesta época aumentam as especulações sobre o preço que os produtores vão receber pelo produto em caroço. Na semana passada a cotação era de R$ 8,95/arroba para o tipo 6, não fugindo muito dos preços cogitados desde o início de fevereiro.
Este preço deve ser encarado como ‘‘perspectiva de compra pelo mercado atacadista’’, avisa o engenheiro agrônomo Maurício T. Lunardo, do Deral.
A este nível de preços, para a rentabilidade ser positiva, é necessário uma produtividade acima de 2.000 kg/ha.
Em março de 99, o preço médio recebido pelos produtores foi de R$ 8,96/arroba. No entanto, nessa safra, observa o técnico, houve um aumento de 21% no custo de produção, por conta da desvalorização do Real. Além disso, a inflação nesse período passou de 8%.
O preço do algodão em caroço tem uma forte relação com o preço da pluma que ha mais de um mês gira em torno de R$ 33,00/arroba. Há uma leve tendência de baixa no pluma, segundo Maurício T. Lunardo. O governo federal continua realizando leilões - agora com procura um pouco maior. Além disso, as indústrias, na medida do possível, estão aguardando a entrada da safra nova.
Segundo análise do Deral, o que tranquiliza os produtores é que o governo federal tem dito que, quando necessário, utilizará dos instrumentos de política agrícola para regular o mercado e garantir a renda mínima.
Para quem acredita no governo isto é confortável. Para quem acredita.



LEITURA DINÂMICA
-A Agroceres está investindo R$ 17 milhões em genética e ração animal. Comprou duas granjas de suínos em Minas Gerais e uma fábrica de ração em Goiás.
-Aumentam os pedidos de concordata no pequeno comércio de alimentos. Entre os mais atingidos estão panificadoras, lojas de conveniência e pequenas redes de supermercados.
-Dados são da empresa paulista Virtual Vendor Consulting, no mês de fevereiro. Para os técnicos do Sebrae, é um problema de gerência.
-Para o Indicador Setorial de Liquidez os setores que têm problema são atingidos ‘‘mais fortemente’’ pelo ajuste cambial ano passado.
-Contribuem ainda para aumentar as dificuldades os aumentos de tarifas, juros altos e aumento dos derivados de petróleo.

DROPS
Café Operadores do mercado cafeeiro não acreditam muito na recuperação dos preços esta semana, por razões já conhecidas. O máximo que pode acontecer é estabilizar por alguns dias, mas ainda sem sinal de reversão.
Leilão/Ponti O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti, espera para esta semana uma resposta do ministro da Agricultura sobre a suspensão dos leilões de café.
Leilão É que o mercado está em baixa e não faz sentido a oferta de estoques oficiais. Estudos neste sentido foram encaminhados ao governo há várias semanas.
Desinteresse E o leilão de quarta-feira confirmou o cenário apresentado pelo Sindicato: foram vendidas apenas 51,1% (92.024 sacas) das 180.005 postas à venda.
Trigo Outro assunto pendente é o trigo. Foi apresentado estudo sobre o custo de produção da próxima (R$ 14,60/saca) e uma proposta para a comercialização.
Milho Último relatório do Deral está prevento aumento da área da safrinha de milho, apesar do atraso na colheita de verão. Motivo: preços se manterão em alta até final do ano. No momento o preço está em queda.

mockup