Barreiras ‘sanitárias’
Vira e mexe, os países importadores acrescentam exigências sanitárias aos
produtos brasileiros, de origem animal ou vegetal. ‘Barreiras sanitárias’ são o nome do disfarce para salvaguardas mal resolvidas, sobretaxas não acordadas, enfim barreiras alfandegárias dissimuladas. Em resumo, a globalização e a abertura econômica entre os blocos mudaram o nome de barreira alfandegária para restrições sanitárias.
No caso do Mercosul, um arremedo ainda a ser passado a limpo. Corrigir estas falhas – que vêm desde o momento em que o acordo foi concebido – é tarefa que demanda tempo e discussões.
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, está se propondo a encarar mais uma dessas discussões. Na próxima segunda-feira vai apresentar ao ministro da Agricultura da Argentina, Antonio Tomaz Berhongaray, um acordo de equivalência sanitária recíproca entre os países do Mercosul. É uma tentativa de eliminar as barreiras não tarifárias que vêm sendo impostas pela Argentina à entrada de mercadorias brasileiras.
Pratini tentará solucionar com Tomaz Berhongaray, a barreira imposta às exportações de frango, sob a alegação de que as aves brasileiras estariam contaminadas por ‘‘new castle’’, doença do sistema respiratório.
Às vezes essas exigências não partem dos técnicos; vêm de pressão dos produtores. No passado, eles alegaram prejuízos decorrentes de uma ‘‘invasão’’ de frango brasileiros. Essa invasão, no entanto, não se confirmou, segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Frango, porque estatísticas da própria Argentina provaram que a produção de frango daquele país cresceu 5% no ano passado, pulando de 870 mil toneladas em 1998 para 905 mil t em 1999. As exportações brasileiras, em contrapartida, que eram de 62 mil t, caíram para 50 mil, no mesmo período.
Provérbio de avicultor argentino: ‘‘Doença no frango dos outros é refresco para a balança comercial da gente’’.
Outro assunto em pauta é a liberação do trânsito de equinos brasileiros, suspenso desde a semana passada, em função de um foco de ‘‘mormo’’ (doença crônica que afeta o sistema respiratório dos animais, aliás é uma zoonose)
Recaída O ministro Pratini de Moraes teve recaída: voltou a encontrar números para projetar mais uma grande safra. Não foi por falta de reclamação dos produtores, porém. A produção brasileira de grãos, legumes e oleaginosas deste ano vai chegar a 83,144 milhões de toneladas, segundo anúncio feito ontem pelo ministro.



LEITURA DINÂMICA
-No ano passado o Brasil foi responsável por 95,34% das exportações de trigo da Argentina. E mais de 80% das nossas importações vêm de lá. O Brasil importa 75% do trigo que consome.
-As exportações argentinas de trigo totalizaram 6,300 milhões de toneladas.
-A Associação de Produtores de Suínos da Argentina alertou o governo para que 20% dos produtores (cerca de 600 granjas) podem abandonar a atividade. Motivo da crise: entrada de suínos do Brasil e da UE.
-Do total de importações suínas, o Brasil participou em 1999 com 64%, e a Dinamarca com 14%.

DROPS
Dia de Campo Monsanto, Cargill, Dekalb, Agroceres e Monsoy participam hoje, às 8h30, do Dia de Campo da Cooperativa União Ltda. (Coagru), em Ubiratã.
Monsanto PD A Monsanto estará apresentando técnicas de manejo e dessecação para Plantio Direto com a utilização do Roundup Original.
Híbridos Em pauta os híbridos AG 9090 e AG 6018. O AG 9090 é precoce, produtivo, de arquitetura moderna e ótimo arranque no frio. Tem excelente sanidade. Folhas eretas reduzem o espaçamento entre linhas.
Híbrido (2) O AG 6018 é superprecoce e produtivo. Tem rápida perda de umidade (dry down), o que resulta em colheita mais cedo. Tem ótimo empalhamento, com índice de grãos ardidos mais baixo que concorrentes.
Monsoy A Monsoy apresentará as cultivares de soja que considera mais adequadas para a região.

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