Oswaldo Petrin
Ecologicamente correto
Não é modismo, é questão de mercado: vale a pena agir ecologicamente correto, na agroindústria, no campo, no estábulo. Além da crescente conscentização e exigência do consumidor, também instituições internacionais estão de olho na adoção da sustentabilidade. Algumas, como o Fundo Terra Capital, dispõem de recursos para financiar projetos de investimento, um prêmio à opção pela sustentabilidade.
O exemplo: a Muaná Alimentos é a primeira empresa brasileira a receber recursos do Fundo Terra Capital, organização internacional que direciona verbas do Banco Mundial, do Japão e da Suíça para projetos industriais que não agridam a natureza e contribuam para a manutenção do meio ambiente.
Com a verba disponibilizada, de US$ 1,1 milhão, a Muaná prepara-se para alterar seu perfil empresarial: pretende dedicar-se prioritariamente ao mercado externo e quadruplicar sua produção nos próximos quatro anos.
O faturamento, que no ano passado foi de US$ 4 milhões, em 2003 deverá chegar a US$ 10 milhões. Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, o mercado de produtos ecologicamente corretos é enorme. Existem até redes de supermercados que só comercializam alimentos naturais. E o preço de venda é sempre 30% maior que o de produtos tradicionais, disse ontem a este jornal o sr. Georges Schnyder Jr., diretor da Muaná.
Operando desde 1980, com sede administrativa em São Paulo e fábrica na Ilha do Marajó (PA), a empresa até hoje dedicou-se à produção de palmitos em conservas. Em 1999 fabricou 540 t (1,8 milhão de potes) de palmito líquido drenado, o suficiente para classificá-la entre as maiores do setor.
A produção de polpa de açaí congelada sempre foi menor, a do ano passado chegou a 250 t, um recorde apenas viabilizado pelo boom de consumo verificado no sudeste do País. A partir de agora esse quadro vai mudar. De forma gradativa, a produção de polpa de açaí passará a ser maior que a de palmito. Dentro de quatro anos pretendemos estar produzindo 1.800 t de açaí e 1.200 de palmito, conta o diretor. Ou seja, a produção total de alimentos, que no ano passado somou 790 t, será de 3.000 t em 2003.
Todos esses planos e números fazem parte do contrato assinado com o Fundo Terra Capital, que na América Latina é administrado pelo Banco Axial. As negociações entre a Muaná e o Fundo foram iniciadas em 1998 e só concluídas no final do ano passado e, segundo Schnyder, foram difíceis. A filosofia do Fundo Terra Capital é investir exclusivamente em empresas compromissadas com a manutenção da biodiversidade.
LEITURA DINÂMICA
-Não basta provar que produz sem degradar a natureza. A empresa tem que ser rentável. O Fundo só investe em negócio viável, bom.
-Uma das exigências do Fundo Terra Capital para efetivar a parceria era de que a Muaná buscasse a certificação internacional de produto florestal não madeireiro e orgânico.
-Esta meta está sendo perseguida e deve ser a primeira empresa no mundo a obter o reconhecimento do FCS - Forest Stewardship Council, a principal entidade certificadora mundial de produtos florestais.
-Mas não são apenas as produções de escala industrial ou primária que recebem prêmios. Também as pequenas agroindústrias podem se habilitar...
DROPS
Protesto Quase 12 mil quilos de carne foram distribuídos para centenas de pessoas ontem em Cáceres, MS, na divisa com a Bolívia, no protesto dos criadores de gado do Vale do Guaporé.
Frigorífico Na região existe apenas um frigorífico para um rebanho de 3,5 milhões. Ao todo, são 5.500 propriedades que estão na área de risco da aftosa. Os pecuaristas querem que o governo libere a comercialização do produto para outras regiões.
Não abre Apesar do protesto, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse que as fronteiras deverão permanecer fechadas até maio do ano que vem.
Rigor O ministério continuará cumprindo com rigor as normas de restrições de animais, para não colocar em risco as condições sanitárias conseguidas pelos Estados do circuito Centro-Oeste.





