Oswaldo Petrin
O mercado se refaz
A semana começa com quadro de expectativa em torno da definição e recuperação de preços. Isto ocorre mesmo antes da definição da colheita, como é o caso do arroz, cuja oferta (proveniente do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) acima da de anos anteriores, atropela a oferta do Rio Grande do Sul: seu efeito no mercado aconteceria a partir de meados de março, conforme observam cerealistas do Paraná que revendem o produto. O quadro:
1) Recuperação para o feijão, embora difícil, por conta da entrada de recursos em AGF/EGF, na semana passada;
2) Melhor definição do preço do algodão;
3) Recuperação do preço do milho. Três semanas depois das primeiras ofertas da safra nova os preços recuaram em média R$ 2,00/saca, fato normal. No entanto, passado o primeiro impacto, ninguém tem dúvida de que o preço volta aos patamares de dezembro, entre R$ 12,00, R$ 12,50 ou até R$ 13,00 no interior. A situação do milho é clara - é falta de mercadoria - como mostraram na sexta-feira, em curitiba, os analisas de Safras & Mercado, consultora de credibilidade.
4) No caso do café, a recuperação de preços é mais lenta, embora movida pelo mesmo motivo que o milho: menos oferta. Acontece que esta semana deve ocorrer o leilão de café dos estoques oficiais, sempre um bom motivo para inibir eventuais altas do mercado.
5) Boi gordo e gado de reposição devem manter preços estáveis. Se por um lado não há mais espaço para alta de preços, é preciso considerar que a recuperação dos pastos, oferece condições de retenção do gado, sem perda de peso.
6) Único produto que tem mais motivos para se manter estável do que para variações bruscas é a soja, já que os fatores que exercem influência sobre seu comportamento, como seca no Brasil e Argentina e previsão da safra norte-americana são bem conhecidos.
No caso do feijão pode ser o fim de uma situação dramática. Na sexta-feira foi destaque nesta página a entrada de recursos do governo federal, R$ 4,5 milhões. Na semana anterior o Banco Central havia iniciado o repasse de R$ 3 milhões. O dinheiro foi pouco muito pouco. Além de curto como disseram nos produtores na ocasião chegou tarde. Mas mesmo assim, não deixa de incomodar o comércio. Portanto, admite-se que se não houver um recuperação dos preços - porque o mercado está bem ofertado - pelo menos os preços vão parar de cair, como preferem os mais realistas. Por culpa da falta de recursos (entre o anúncio do ministro e a chegada do dinheiro houve uma distância de três semanas) os produtores chegaram a perder R$ 10,00 por saca em relação ao preço mínimo. No meio da semana, os preços apurados pela Ocepar estavam em torno de R$ 18,00 comparados ao preço mínimo de R$ 28,00.
No caos do café é preciso esperar ver até que ponto vai o impacto da decisão dos países produtores de reter a mercadoria. Até o final da semana passada não havia consenso sobre o assunto.
LEITURA DINÂMICA-
A colheita de feijão na região de Campos Novos, centro-oeste de Santa
Catarina, começou nesta semana, dando novo impulso aos preços.
-Devido à boa qualidade do produto, a saca de 60 quilos foi negociada, hoje, a R$ 25,00, contra R$ 21,00 na sexta-feira.
-A colheita de feijão no Paraná já atingiu 93% da safra das águas. Até a semana passada, o produto colhido era de boa qualidade.
-Em relação à safra da seca, até o dia 15 o plantio havia atingido 70% da área, segundo o Deral.
-O preço do feijão, em seis meses desabou de R$ 40,00/50,00/saca (no atacado) para modestos R$ 18,00/22,00/saca (ao produtor) sem que no varejo houvesse qualquer diferença.
-É o que informa a Abra (que representa os supermercados). O repasse da queda de preços ocorreu nas zonas de produção, onde a diferença ficou bem visível.
DROPS
Como fica Não será esta semana, porém, que os países produtores de café vão decidir sobre a retenção do produto. Solução fica para março.
Retenção A reunião do grupo de trabalho dos países-membros da Associação dos Países Produtores de Café (APPC), realizada sexta-feira, em Londres, terminou sem uma decisão sobre a adoção do sistema de retenção de café.
Retenção (2) O presidente da APPC, Sérgio Amaral, disse que a retenção é uma das alternativas que serão alvo de estudo a ser realizado pela entidade.
Retenção (3) O grupo técnico tem reunião marcada para o dia 3 de março. A etapa a ser seguida será apresentação das conclusões para o governo.
Sem motivo Sérgio Amaral disse que uma das conclusões é que não há razão para os preços do café estarem em níveis tão baixos, principalmente do robusta.





