Crédito para tratores
O ministro da Agricultura estava inspirado, ontem. Anunciou novo volume de recursos via EGF/AGF para a safra, com valores definidos (ver matéria ao lado) e uma nova linha de crédito de investimento para tratores e colheitadeiras.
Não se sabe se sobrou algum troco para socorrer produtores de feijão no Paraná que no início da semana chegaram a vender o produto a R$ 10,00/saca abaixo do preço míniumo. Além de afundar centenas de produtores, essa ausência de socorro - embora prometida - acarreta milhões de prejuízos ao Paraná.
Mas a novidade é o crédito par máquinas. A partir da semana que vem os interessados em renovar sua frota poderão procurar por uma nova linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e seus agentes em todo o País.
O BNDES tem R$ 1,6 bilhão para a renovação de frota de equipamentos agrícolas. Esse total será dividido em duas parcelas de R$ 800 milhões cada uma, sendo que a primeira já estará disponível na próxima semana.
Pratini explicou que as normas do programa, lançado no mês passado pelo presidente FHC como parte do projeto Brasil Empreendedor Rural, serão regulamentadas ainda este mês pelo CMN. Os financiamentos serão concedidos com juros fixos, conforme a renda do produtor. Produtores com renda anual de até R$ 250 mil terão financiamento de 100% do valor do bem e pagarão juros de 8,75% ao ano.
Produtores com renda acima de R$ 250 mil anuais terão financiados em 90% do valor do equipamento e pagarão 10,75% de juros ao ano. O prazo para pagamento será de seis anos para tratores e de oito anos para colheitadeiras, sendo que a primeira parcela terá que ser paga 360 dias após a assinatura do contrato. Pratini disse que além de cadastro, o produtor terá que apresentar garantias reais para obter o empréstimo.
Pratini disse que não haverá mais a exigência de uma idade mínima de 18 anos de uso para que o equipamento possa se beneficiar do programa, como chegou a ser pensado inicialmente. Ele não soube precisar quantas máquinas poderão ser trocadas, mas disse que o programa poderá financiar cerca de 50% da produção do setor de implementos agrícolas do País.



LEITURA DINÂMICA
-Arrozeiros do Rio Grande do Sul ameaçam suspender as vendas a partir do dia 28 caso o governo não adote medidas que revertam a queda dos preços do produto.
-Eles também admitem levantar barreiras nas fronteiras para impedir a entrada de arroz produzido na Argentina e no Uruguai.
-Segundo a Farsul, os custos de produção alcançam R$ 14,84 por saco de 50 quilos.
-Mas os preços médios pagos ao produtor estão ao redor de R$ 13,60, caindo para R$ 12,50 em algumas regiões.
Sabe o que vai acontecer se os gaúchos suspenderem as vendas de arroz? Nada, segundo cerealistas do Paraná. Produção do MS e MT está chegando com tudo.

DROPS
Juro permanece Quem previu que os juros não seriam reduzidos, acertou. O Comitê de Política Monetária (Copom), leia-se Armínio Fraga, presidente do BC - decidiu na reunião de ontem manter a taxa Selic em 19% ao ano.
Taxa O juro básico da economia brasileira permanece no mesmo nível desde 22 de setembro do ano passado, quando a taxa caiu de 19,5% para os atuais 19%.
Expectativa A decisão do comitê, que reúne os diretores do Banco Central, ficou dentro da expectativa dos analistas de mercado.
Petróleo Diante da alta recorde do preço do petróleo no mercado internacional, o mercado já esperava uma atitude conservadora e cautelosa do Copom.
Fique de olho O comitê volta a se reunir nos dias 21 e 22 de março. No dia 21 de março o Fed (Banco Central americano) também decidirá sobre o rumo dos juros nos EUA.

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