Juros serão mantidos
O Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar hoje o novo juro básico do País. As discussões técnicas foram iniciadas ontem, sob a expectativa otimista do mercado de que o novo juro será menor. O mercado estava apostando até ontem na redução da taxa (Selic), hoje em 19%. Os agentes falavam em redução, ainda que pequena, de 0,25%. Os mais otimistas prognosticavam redução de até 0,50%, com base no seguinte cenário: temos uma economia mais estável neste início de ano, inflação sob aparente controle (entre 6% e 7% no ano, segundo a FGV) e sinais de retomada de crescimento.
A partir desse quadro, portanto, muitos apostavam na queda de juros. Os empresários também. Entre os entrevistados por este jornal, apenas um – o diretor da Sociedade Rural do Paraná, Arnaldo Coelho do Amaral Filho – admitiu aumento das taxas.
Em artigo escrito no início da semana – que a FOLHA publica hoje na página de Opinião –, os técnicos Dimitri Eduardo Abudi e Daniel Yabe Milanez, da Investidor Global, sustentam que, apesar do otimismo do mercado, as taxas não serão reduzidas.
Entrevistado ontem por esta coluna, Dimitri Abudi relacionou três fatores que poderiam levar Armindo Fraga a optar por uma postura conservadora: a) ainda perdura um certo receio com a inflação, b) os juros lá fora estão aumentando e, com isso, aumenta também a atratividade da aplicação, c) o aumento no preço do petróleo pode criar o efeito que Dimitri chamou ontem de ‘‘susto inflacionário’’.
‘‘Acho que Fraga vai surpreender o mercado não reduzindo o juro. O mercado pode achar que o momento é propício para uma redução, mas o presidente do BC acha que o momento ainda não comporta esta redução’’, afirma Dimitri. Depois de elogiar a postura de Fraga, até agora, Dimitri reconhece que ‘‘qualquer outro técnico no lugar dele embarcaria na onda otimista e reduziria o juro, mas Fraga adotará a prudência’’, disse o técnico, sugerindo, portanto, que não será desta vez que os juros vão ceder a nível inferior aos 19%.
Ontem à tarde, outros analistas – indiferentes ao otimismo do mercado –, aderiram ao prognóstico contrário à redução da taxa. As preocupações com a alta do preço internacional do petróleo e uma eventual elevação dos juros nos EUA são determinantes para esta mudança de expectativa que leva os analistas a esperar uma atitude mais conservadora por parte do Copom – leia-se Armindo Fraga.
Para o consumidor comum, pouco ou nada importa, a não ser indiretamente e a longo prazo. Ainda que os juros básicos sejam corrigidos para baixo, numa hipótese audaciosa de 0,50%, vai demorar muito para transparecer nas taxas do crédito pessoal ou outras modalidades de financiamento.



LEITURA DINÂMICA
-Dimitri e outros consultores conferem um peso importante à alta do petróleo sobre a decisão de hoje do Copom.
-Dimitri reconhece que o controle da inflação tem resistido aos efeitos das altas anteriores, mas acha que esta variável externa, a variável petróleo, pode ser a mais determinante para abordar virtual redução dos juros.
-Alta do petróleo pode trazer reflexos para a inflação este ano. Uma recomposição nos preços internos do produto chegou a ser dada como certa, ontem, pelo mercado.
-Além da questão do petróleo, um estudo do Lloyds Bank aponta a perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos como outro inibidor.
-O fluxo de capital para países emergentes pode ser afetado se houver uma alta consistente dos juros americanos. (Veja nas páginas de Economia).

DROPS
Varejo Grandes redes de varejo estão se mexendo. Carrefour e Pão de Açúcar querem formar fornecedores exclusivos e seletivos. Mais poder para negociar.
Marca própria Também anuncia a ampliação de itens com marca própria, sugerindo assumir maior cumplicidade com o consumidor.
Itens Ontem, Carrefour e Pão de Açúcar anunciaram que vão oferecer opções de produtos mais baratos, com diferença de até 50% em relação à marca líder.
Marketing Essas mudanças não são apenas estratégias para manter o nome na mídia. As promoções semanais ou mensais ficam mais homogeneas e o custo é menor.

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