Oswaldo Petrin
Atacado não pressiona
Ainda não dá para respirar definitivamente aliviado. Mas já é menor o medo de um repasse (para o consumidor) da alta dos preços no atacado registrada no ano passado. Ontem saíram os primeiros dados de 2000, da Fundação Getúlio Vargas, disdribuídos ontem pela Agência Estado. Revelam que os índices do atacado e do varejo estão convergindo, ou seja, acenam com equilíbrio.
Trata-se de um cenário bem diferente do verificado em 1999, quando a desvalorização cambial provocou um grande descolamento entre as duas taxas: o Índice de Preços no Atacado (IPA) chegou próximo a 30%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) variou apenas 9%, segundo a FGV.
Os números de janeiro apontam resultados muito próximos. A inflação no varejo e ao consumidor subiu em torno de 1% no mês passado e não há motivos para novos descolamentos.
O recuo na cotação da moeda norte-americana no final do ano passado fez a inflação baixar. O dólar tem impacto direto no cálculo do IPA, composto em 90% por produtos comercializáveis, os chamados tradeable. A depreciação do real puxou a alta dos importados, abrindo espaço para uma recomposição nos preços nacionais.
O economista da PUC Luiz Roberto Cunha, ouvio ontem pela AE. prevê inflação entre 6% e 7% este ano nas duas taxas. Segundo ele, os índices terão comportamento semelhante a médio e longo prazo, com pequenas variações durante o ano. A entrada da safraagrícola, por exemplo, afeta mais os preços no atacado, enquanto um aumento de tarifa reflete com maior intensidade no varejo.
É que já houve uma convergência entre o IPA e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), taxa calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que serve de referência para o sistema de metas do governo.
Houve duas grandes mudanças de preços relativos desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Os movimentos foram bruscos, mas as taxas acumularam uma variação quase idêntica no período. A pesquisa constata que o IPCA subiu 85 32% de julho de 1994 a dezembro do ano passado, praticamente estável em relação a alta de 83,79% apurada pelo IPA.
A primeira mudança relativa de preços ocorreu nos primeiros dois anos do Plano Real. Na época, a valorização do câmbio deu competitividade aos importados, inibindo reajustes nos tradeable. A taxa no atacado correu bem abaixo dos preços ao consumidor até 1999, quando o cenário se inverteu.
A desvalorização cambial de janeiro do ano passado provocou uma segunda mudança relativa de preços. A alteração na polícia cambial permitiu ao IPA recompor as perdas e entrar em uma trajetória convergente com o varejo.
LEITURA DINÂMICA
-As Indústrias Todeschini cresceram 10% ano passado, comparando-se com 1998.
-O número, divulgado ontem, resulta das transformações pelas quais a mais antiga indústria de massas do Sul do país vem realizando há cerca de dois anos.
-Desde 98, a Todeschini vem passando por uma série de reestruturações com o objetivo para se tornar competitiva e manter sua liderança no segmento de massas nos três Estados do Sul.
-É o que afirma Paulo Hilario Bonametti, diretor de Propaganda da empresa.
-Uma das mudanças visíveis foi a alteração da logomarca da empresa, que ganhou novo formato no final do primeiro semestre do ano passado.
-Toda a linha de produtos ganhou nova roupagem, com lay-outs mais modernos e de melhor composição visual, destacando-se nas gôndolas. Fonte: Jean Luiz Féder.
DROPS
Previsão furada Operadores de mercado disseram a esta coluna ontem à tarde que agora foi a vez do USDA exagerar nas estimativas de safra (depois da Embrapa, que superestimou a safra de café, final do ano passado).
USDA/safra O Usda estimou a safra brasileira de soja em 30,5 milhões de toneladas, contra 31 milhões do mês passado. Essa redução foi causada pela estiagem que atingiu as lavouras nos últimos meses. Mas a redução foi maior.
Soja/estoque Os estoques mundiais finais de soja em grãos da safra 1999/2000 caíram para 20,9 milhões de toneladas, com queda de 12,8% em relação à anterior, segundo o USDA. Fonte:Brandalizze Consultoria/AF.
Brandalizze concorda Também para a Brandalizze Consultoria, os números apontados pelo USDA na América do Sul ainda estão acima das expectativas locais. As perdas devem ser maiores devido às secas ocorridas no Brasil e na Argentina.
Bolsa/café A BM&F lançará no dia 18 deste mês os contratos de opções de compra e venda sobre futuro de café. O novo mercado estará aberto à participação de investidores estrangeiros e será cotado em dólares por saca.





