Novo subsídio americano
Esta semana é que o mercado vai aquilatar o reflexo (negativo) da injeção de recursos do governo americano aos produtores de soja daquele pais. Quando tudo parecia favorável para a soja brasileira no mercado externo, o governo norte-americano resolve praticar pesados subsídios, entre 450 milhões e 470 milhões de dólares.
Portanto, além dos subsídios que os produtos americanos já recebem do seu governo, disfarçados de formas diferentes, acontece mais este, um subsídio assumido oficialmente com todas as letras.
O governo norte-americano foi claro, na quarta-feira, ao anunciar os subsídios (que além da soja, beneficia outros produtos grãos oleaginosos, incluindo aí o milho, girassol e canola): é para compensar a queda de preços nos mercados interno e internacional.
O crédito é disponibilizado quase sem restrição: para ter acesso ao recursos o produtor norte-americano só terá que comprovar ter plantado um dos produtos beneficiados na safra de 1999.
Operadores de mercado das cooperativas e consultores independentes são de opinião que, pelo menos no caso da soja, o subsídio ao produtor americano vai ‘‘impactar’’ no mercado, rebaixando os preços da soja norte-americana no mercado internacional, indendente do tamanho das safras nos Estados Unidos, Brasil e Argentina. Neste momento, qualquer número que o USDA apresente sobre a área a ser plantada nos Estados Unidos, não repercute tanto quanto a generosa ajuda do Governo de Clinton aos produtores.
Agora seria o momento de os produtores de soja brasileiros se beneficiarem dos preços externos do produto. União Européia e países asiáticos vão aumentar suas compras. E o próprio EUA prevêem aumento de cosumo. Além disso, o produtor brasileiro já absorveu todas as altas possíveis e imagináveis que vieram na carona do ajuste cambial do ano passado. Portanto, a safra teria um custo relativamente estável. No entanto, quando se injeta dinheiro quase de graça na produção americana - como acaba de acontecer - a soja concorrente fica altamente competitiva podendo pressionar o preço para baixo. Pelo menos esta é a leitura dos observadores do mercado, num primeiro momento. O mercado pode provar o contrário.
Tudo indica que vem aí um período adverso na comercialização da soja, com preços abaixo da média histórica. Como os fóruns para debater isso não têm sido eficientes - exemplo é foi o fiasco de Seatle, em dezembro, o jeito é o governo brasileiro adotar alguns antídotos contra as consequências dos subsídios americanos.



LEITURA DINÂMICA
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Algumas medidas já estão sendo cogitadas na CNA, para médio prazo, desde que tenham início este ano: redução do custo Brasil, a começar pelo pedágio.
-O reajuste do pedágio, a esta altura, deve ser repensado. Discussões sobre o transporte de carga só seriam retomadas com previsão de subsídios ou bônus.
-Outro ponto: setores produtivos pressionam políticos de respectivos Estados para que a Lei Kandir passe a ser algo ‘‘inegociável’’, enquanto redutor de custos.
-Outras vertentes da desoneração, como fator de competitividade da soja exportada, passariam a ser negociadas no seio do Confaz.
-Tem que ficar claro que tudo isso não é para contrapor os efeitos do subsídio à soja concorrente. É uma questão de equilíbrio da balança comercial.
-Raciocínio simples: o governo não vai contemplar a soja só porque ela sofre com os subsídios do lado de lá. É que a soja é simplesmente o fiel da balança.

DROPS
Milho/debate Dias 21 a 24/2, em Entre Rios (Guarapuava), ‘‘Seminário de Atualização da Cultura de Milho da Região Sul’’. Promoção da Cooperativa Agrária Mista Entre Rios Ltda.
Milho/Turra Na abertura do evento, palestra sobre ‘‘estratégias para fortalecer a agricultura brasileira’’, pelo ex-ministro Francisco Turra - lições tiradas da sua passagem pelo governo.
Milho/palestras Além das palestras de técnicos do Iapar, cooperativas, Esalq e empresas de insumos, haverá palestra e debate sobre ‘‘táticas’’ para uma boa comercialização, por Wlamir Brandalize.
Inscrições Temas do seminário foram escolhidos com base na expectativa de técnicos e agricultores do Rio Grande do Sul e Paraná e refletem dificuldades das últimas safras. Informações telefone: 0055 (0-42) 725-1133 Fax: 0055 (0-42)725-1709.
Demanda Associação Paulista de Avicultura está prevendo aumento de 8% no alojamento de pintos no segundo semestre. Este não é o único fator de demanda de milho. Aumentam também aves de postura (4,3%) o confinamento de bovinos (3%), suínos (2,5%).

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