Agora dá para acreditar?
Anúncios do governo, como o de ontem (matéria ao lado) têm sido tão vexatórios que desta vez é quase certo que as promessas serão cumpridas. Os produtores perdem as contas do número de vezes em que o governo vem a pública anunciar medidas para o setor que não se confirmam. A credibilidade está em baixa. É hora de falar sério.
Dois produtos terão apoio do governo: o milho e o trigo. No caso do milho o governo vai entrar comprando como nos velhos tempos. Ele precisa formar estoque, para evitar a repetição, ano que vem, da crise de abastecimento, a pior dos últimos 20 anos segundo o setor de ração para aves, suínos e confinamento.
A safra de milho, projetada para 32,7 milhões de toneladas, deverá ficar em torno de 30,5 milhões de t, incluindo a chamada ‘‘safrinha’’, cujo plantio inicia, tradicionalmente, em janeiro e fevereiro. Pratini disse que não há dados precisos sobre o impacto da seca na safrinha. Afirmou, no entanto, que se for preciso ampliar as importações, estimadas inicialmente em 1,2 milhão de toneladas de milho, não há nenhum drama em fazer isso. ‘‘Paga-se US$ 80 por uma tonelada de milho e se exporta uma tonelada de frango por US$ 800. Então há vantagem’’, afirmou.
Como se vê no conceito de agregação de valores do ministro, dane-se um elo da cadeia, o da ponta da produção.
Ministro lembrou ainda que precisa considerar a produção de cerca de dois milhões de outras forrageiras, como sorgo, triguilho e milheto. Lembrou ainda que haverá um excedente de nove milhões de toneladas de milho da Argentina, que entram no País sem pagar imposto. Ele acredita que a importação de milho não irá provocar a redução dos preços do produto nacional porque o custo de importação associado ao câmbio faz com que o produto estrangeiro entre no País praticamente pelo mesmo preço praticado no mercado interno.
Pratini disse ainda que o governo quer estimular a ampliação de plantio de trigo no País. Já no ano passado destinou R$ 40 milhões em operações de EGF para que as cooperativas do Rio Grande do Sul e Paraná fizessem a retenção de sementes. Para este ano, se necessário, haverá o lançamento de contratos de opção para os produtores de trigo.
Com relação à portaria do Banco Central, que exigiu antecipadamente o depósito de cartas de crédito para importação de trigo da Argentina, no âmbito dos convênios de crédito recíprocos, Pratini disse que a importação desse produto não é a preocupação do governo. ‘‘Nossa preocupação é aumentar a produção e estimular o produtor nacional’’, afirmou.



LEITURA DINÂMICA

-Aftosa: o governo não abrirá mão do controle que vem exercendo para que as regras do Comitê Internacional de Epizootias (OIE) sejam cumpridas, disse Pratini.
-O governo cumprirá com todo o rigor o compromisso com o OIE e não mudará uma vírgula, alertou o ministro.
-Os animais alojados nas chamadas ‘‘zonas tampão’’ só poderão entrar nos Estados livres de aftosa sob a forma de carne desossada processada em frigoríficos com inspeção federal.
-‘‘Isso não quer dizer que não iremos auxiliar na solução de problemas pontuais. Mas não iremos mudar uma política que beneficia todo o País para atender a poucos, cujos problemas já estavam previstos’’, observou.

DROPS
Pulso firme O ministro Pratini, da Agricultura, foi firme na sua entrevista de ontem contra aqueles que querem ‘‘abrandar’’ as medidas preventivas contra febre aftosa (leia-se frigoríficos e pecuaristas do MS).
Frigoríficos Assessores do ministro disseram que os frigoríficos do MS não acreditaram no governo e, portanto, não se equiparam para a nova realidade no controle da sanidade do rebanho.
Café O volume das exportações de café em grão caiu 24,4% no mês passado na comparação com o mesmo mês de 99, totalizando 1,07 milhão de sacas. Fontes: Conselho dos Exportadores de Café Verde do Brasil e Agência Folha.

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