Juros libertam comércio
Os juros básicos caíram de 45% em novembro de 1998 para 19,5% e permaneceram nesse patamar. Foi uma queda brutal, embora, convenhamos, estão entre as taxas mais altas do mundo. Pior é que o diferencial não foi transferido para os juros de mercado: crédito direto ao consumidor, crédito pessoal, no cartão, no cheque especial e tantas outras modalidades de financiamento.
De certa forma o governo achou bom que isto tivesse ocorrido. Afinal, na política de arrocho monetário adotada pelo plano, a melhor forma de manter a estabilidade seria inibir a demanda agregada de tudo. E assim tem sido. Não importa se a demanda reprimida venha e explodir daqui a uns dois ou três anos, como a abertura de uma comporta. Afinal, o desemprego é outro ‘‘aliado’’. E o governo de FHC também joga com isso no seu estilo de controlar da inflação.
Mas o consumo retraiu tanto que agora os juros do mercado dão sinais de redução. Muito mais do que simples sinais, aliás.
A boa notícia é a seguinte: o consumidor está pagando hoje a menor taxa juros do Plano Real ao comprar a prazo nas grandes redes de lojas. Magazines que cobram encargos de 3% ao mês no crediário não financiavam a venda de mercadorias por menos de 9% ao mês no início da estabilização. Na média, as taxas caíram pela metade. Pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade (Anefac) mostra que os juros médios do comércio em agosto de 1995 eram de 14,85% ao mês. Em janeiro deste ano, a taxa média era 7,51%.
Efeitos positivos: matéria distribuída ontem pelas agências mostra que a queda dos juros e o recuo da inadimplência registrada nos últimos meses já começaram a ter impacto no ritmo de vendas do comércio. No mês passado, as consultas para compras parceladas cresceram 10,9% na comparação com igual período de 1999, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).



LEITURA DINÂMICA
-Ao contrário do que ocorreu em todo o Plano Real, até agora, os preços dos produtos agrícolas já não estão tão defasados. Veja o comportamento dos últimos 12 meses.
Os preços agrícolas mantêm um crescimento acumulado de 22,57% nos últimos 12 meses. Maior que o IGP-M (20,58%) e o IPC-Fipe de 9,20%.
-Mas, em janeiro caíram bastante. Não foi só o preço da batata que desabou. Outros produtos também recuaram. Não foi um recuo dramático, mas a recuperação agora é demorada.
-Os preços recebidos pelos produtores fecharam janeiro em queda de 1,04%, apresentando uma retração de 4,59 pontos percentuais em relação a dezembro/99, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA) de SP.
-O índice de preços recebidos (IPR) pelos agricultores vinha mantendo uma variação positiva desde o início de agosto e a partir de janeiro apresentou ‘‘variação negativa’’.
-Os cálculos são do pesquisador Nelson Batista Martin, do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e foram divulgados ontem pela AE.

DROPS
Milho lidera O milho lidera os produtos que tiveram maior renda nos últimos 12 meses. Foi o ‘‘preço ao produtor’’ que mais evoluiu. E foi também o que deixou maior margem de renda.
Milho: 69% Na análise do IEA, divulgada ontem, o milho apresentou o maior ganho de preço com 69,32%, de alta. Escassez e paridade com preços de importação, mantiveram cotações em níveis elevados.
Custo Nos custos de produção (tendo como fonte as cooperativas do Oeste e Norte do Paraná) o milho teve um crescimento comparado aos da soja e ligeiramente maior que o do trigo. Mas foi menos atingido pelo ajuste cambial de janeiro de 99.
Maior queda A maior queda de preços acumulada nos últimos 12 meses foi a do feijão (-46,44%), e que também foi o produto que teve a maior redução de preço em janeiro (-33,18%), em função da normalização da oferta do produto.
Indicador O indicador de preço do milho, calculado
pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 14,89/saca (-1,33%). Em dólar, a cotação ficou em US$ 8,32/saca (-0,60%). O valor a prazo ficou em R$ 15,20/saca (-0,65%).

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