Oswaldo Petrin
-Ao invés de reunir as lideranças para discutir um plano para a nova safra, a safra de verão, o ministro da agricultura convoca essas lideranças e apresenta o plano de safra, o que sugere que as regras já estão prontas, ou quase prontas. O ministro Arlindo Porto apresentará hoje a mais de 50 representantes de entidades de classe, secretários estaduais de Agricultura e parlamentares a proposta do governo para o Plano de Safra de verão 1997/98. Os ajustes na política já foram definidos tecnicamente pelo grupo de coordenação de política agrícola, que tem representantes dos ministérios da Fazenda e Planejamento, Banco Central e Banco do Brasil, e devem ser aprovados na reunião do Conselho Monetário no final do mês.
-Após tantas especulações em torno do limite de crédito, ficou acertado que ele deverá aumentar. Principais novidades que serão anunciadas hoje: 1) O limite de crédito por agricultor passa de R$ 30 mil para R$ 40 mil para qualquer cultura, sendo que para a soja o limite aumentará de R$ 30 mil para R$ 90 mil; 2) O sorgo será incluído entre as lavouras que podem ter recursos de até R$ 150 mil, onde já estão o milho, arroz, feijão, trigo e mandioca; 3) O limite para o algodão será mantido em R$ 300 mil: 4) Os juros dos empréstimos deverão ser de 9,5% ao ano, sendo que nos empréstimos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) eles serão de 6,5% ao ano; 5) Os preços mínimos terão reajustes moderados.
-Já se pode assegurar que esses reajustes moderados (em relação aos preços praticanos na última safra, são desprezíveis. O governo quer se esquivar de entrar comprando (toda vez que o mercado pratique preços abaixo do mínimo), então fixa logo um mínimo bem baixo, assim há mais chance do preço de mercado ficar no meso patamar ou mais. Segundo o secretário de Política Agrícola, Benedito Ros, à repórter Mariângela Heredia, da AE, A idéia é que o incentivo dado pelo governo não provoque desequilíbrio entre a oferta e a procura e nem afete muito os débitos securitizados pela equivalência-produto. Pela proposta técnica do grupo de coordenação de política agrícola, o maior reajuste de preços mínimos será de 7% para o algodão. O feijão terá aumento de 3,2%, a mandioca de 4,2% e o arroz não terá aumentos, pois recentemente o governo aprovou uma tabela de reclassificação do produto. O preço do milho será regionalizado, sendo que o preço mínimo da Região Centro-Oeste será reduzido. O algodão vai ser incluído no zoneamento agrícola e terá a alíquota do Proagro (seguro rural) reduzida para 3,9%.
-O volume de recursos ainda não está definido, pois há divergências nos números. O certo é que o aumento de volume dos depósitos à vista em razão da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) é que dará fôlego ao governo para ampliação dos limites de custeio. O Pronaf deverá ter R$ 1,5 bilhão de recursos, enquanto o volume total do crédito rural poderá até ultrapassar um pouco os R$ 8 bilhões já anunciados pelo ministro Arlindo Porto.Conab/milho





