Números realistas
Quando, em novembro a dezembro do ano passado, o governo estufou o peito e anunciou mais uma supersafra, este jornal foi o primeiro a contestar, interpretando indignação de lideranças paranaenses e produtores. Havia uma série de razões para isto: em primeiro lugar, porque uma pequena variação positiva não caracterizaria supersafra. Além disso, anúncios como este só tumultuam o mercado, prejudicando sempre o lado da oferta. E, finalmente, a seca. Antes do plantio, com cinco meses de seca, o governo falava em supersafra. Impossível concordar.
Finalmente a verdade. A safra agrícola deste ano, que estava estimada inicialmente em 83,4 milhões de toneladas de grãos, acabará ficando abaixo da colheita registrada no ano passado (82,4 milhões de t), conforme dados que serão anunciados pela Conab dia 24 próximo.
A redução ocorrerá basicamente por conta da quebra da colheita de milho, que estava estimada em 32 7 milhões de t e deverá ficar em 31 milhões de t (5,2% a menos que a previsão inicial). Caso ocorra redução apenas na safra de milho, como está sendo esperado pelo governo, o resultado final da colheita ficará em 81,7 milhões de t.
Por enquanto a quebra prevista atinge apenas a colheita de milho, prejudicada pela estiagem que atingiu especialmente a região Sul em novembro e dezembro passados. Não deverão ocorrer alterações na colheita de soja, estimada em 31,8 milhões de toneladas (3,4% acima da safra 1998/99) e na safra de arroz, prevista em 11 milhões de t. A Conab deverá concluir as informações que está coletando junto aos produtores na próxima semana. A quebra está sendo calculada na safra total de milho porque, como a estiagem provocou atraso no plantio da chamada ‘‘safrinha’’ - estimada em 6 milhões de t neste ano - que começaria a ser plantada no final de janeiro e início de fevereiro, o governo ainda não tem informações suficientes para fazer uma avaliação correta do desempenho da safrinha, segundo um técnico do governo.
Apesar da reconhecer que a estiagem reduzirá a safra de milho, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, contestou ontem as informações de que as importações do produto deverão chegar a três milhões de t. Segundo ele, os responsáveis por este tipo de informação ou estão mal intencionados ou desinformados, porque não estão computando neste cálculo a produção de outras forrageiras destinadas à ração animal.
Conforme os cálculos do secretário, na pior das hipóteses a importação de milho ficará em dois milhões de toneladas. ‘‘Quem está estimando importação de três milhões de t ou está mal intencionado - para manipular preços - ou está desinformado’’, afirmou em entrevista à Agência Estado, ontem.



LEITURA DINÂMICA
-São Paulo vai reduzir pedágio. O secretário de Transportes do Estado de São Paulo, Michael Zeitlin, afirmou ontem que vai reduzir a taxa de pedágio para caminhões.
-Não falou quanto. As negociações ainda demoram: só estarão concluídas após março. Mas a redução acontecerá.
-A redução está sendo negociada entre a Secretaria, sindicatos de transportes e concessionárias. O Estado vai compensar as empresas concessionárias pelo desconto.
-A diferença na arrecadação poderá ser compensada também pelas chamadas praças eletrônicas em todas as rodovias estaduais paulistas.
-Sindicato dos Transportes já avisou: não vai admitir que Covas dê com uma mão e tire com as duas. Uma coisa é certa: carros de passeio subsidiarão pedágio de cargas.

DROPS
Abia/Internet Até março, o varejo de todo o País - inclui restaurantes, confeitaris, hotéis - poderá fazer compras diretamente na indústria via Internet, conforme a Abia, que representa o setor.
Início O sistema foi lançado ontem, somente para São Paulo. Abia e Interchange estão à frente do projeto que começou com a Melitta, Vigor e Banco Real.
Venda eletrônica Previsão da Abia: em três anos, o comércio eletrônico vai movimentar US$ 1,5 bilhão no Brasil, 10% do volume de vendas do setor alimentício.
Food service O segmento de alimentação fora de casa vai liderar as compras. Para cadastro e acesso às listas de preços e outras informações: site www.foodservice.com.br
Forte O mercado de alimentação fora de casa, food service, está cada vez mais forte. Representa 23,7% de todo o faturamento da indústria brasileira de alimentação (US$ 15,3 bilhões).

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